A indústria na agenda dos presidenciáveis
Texto: Redação Revista Anamaco
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) promoveu, nesta segunda-feira (22 de junho), em Brasília, o evento ‘A indústria na Agenda dos Presidenciáveis’. Em seu discurso de abertura, Ricardo Alban, presidente da CNI, afirmou que a revitalização da indústria é o caminho para que o Brasil retome o caminho da competitividade e crie empregos de qualidade que proporcionem renda mais elevada e ressaltou a importância do setor para o crescimento econômico brasileiro. “Para construir o Brasil que sonhamos, precisamos colocar a indústria, em especial a indústria de transformação, no centro da nossa estratégia de desenvolvimento. A indústria está atenta e disposta a participar desse importante debate. Estamos preocupados com os rumos da economia e temos avaliado as condições necessárias para acelerar o crescimento econômico e para melhorar a renda e a qualidade de vida da população”, frisou Alban.
O evento reuniu três pré-candidatos ao Palácio do Planalto, que falaram em momentos diferentes para um público de líderes industriais sobre os desafios e oportunidades para o desenvolvimento do País. Estiveram presentes ao longo da tarde, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, os presidenciáveis Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Flávio Bolsonaro (PL).
Os três pré-candidatos receberam o documento ‘Construindo o Brasil 2050’, que reúne propostas prioritárias da indústria. O material apresenta recomendações em áreas estratégicas, como agenda macroeconômica, política industrial, inovação, cooperação internacional, energia, infraestrutura de transportes, sustentabilidade, sistema tributário, segurança jurídica, entre outros temas essenciais para o fortalecimento da economia e a competitividade do Brasil.
Pilares para o plano de governo

Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais, abriu a série de diálogos com o setor industrial. O pré-candidato lembrou de sua trajetória de mais de 30 anos como empreendedor antes de ingressar na vida pública. Ele afirmou que a experiência no setor privado é o diferencial necessário para gerir o País e defendeu uma gestão que não criminalize o setor produtivo, mas que reconheça o papel da indústria e do comércio na sustentação da economia.
Zema apresentou três pilares para o plano de governo: um choque de moral e ética; o combate rigoroso aos gastos públicos; e o enfrentamento da criminalidade. Segundo ele, a credibilidade é o primeiro passo para atrair investimentos. “Durante minha gestão em Minas Gerais, não houve escândalos de corrupção porque a postura do "chefe" define a direção da administração pública”, salientou.
Ele também criticou o que chamou de "pacto pela mediocridade" e defendeu que o setor público deve servir ao cidadão e não aos interesses de políticos.
Em relação ao mercado de trabalho, propôs modernizar as regras para ampliar a formalização e a competitividade. “Quero criar uma opção, regime de trabalho por hora, como acontece em todo país desenvolvido. Isso vai formalizar milhões de brasileiros que hoje não conseguem um contrato de trabalho formal”, afirmou Zema ao defender maior liberdade de escolha nos modelos de contratação. Na sua opinião, a legislação atual é engessada e desestimula a geração de empregos formais, favorecendo a informalidade e a insegurança jurídica.
O pré-candidato também apontou a necessidade de promover reformas administrativa e previdenciária, além de revisar programas sociais. “A redução da ‘gastança’ pública é o único caminho para a queda dos juros, o que permitiria viabilizar projetos de infraestrutura, hoje travados pelo alto custo do capital. Investimentos em produtividade são fundamentais para elevar a renda da economia e tornar a indústria brasileira mais moderna”, disse.
Na análise de Zema, a segurança jurídica e a desburocratização são fundamentais para o desenvolvimento do país. Ele destacou que, em Minas Gerais, a simplificação do licenciamento e a proximidade com a Federação da Indústria do Estado de Minas Gerais (Fiemg) permitiram avanços econômicos mesmo em regiões menos desenvolvidas. “O Brasil tem jeito, mas a mudança real virá de quem compreende a realidade de quem produz e investe no País”, finalizou.
Entraves à competitividade

Na sequência, o senador Flávio Bolsonaro falou sobre prioridades de seu governo, caso seja eleito nas próximas eleições, e respondeu perguntas feitas por presidentes de federações das indústrias presentes. Entre os temas abordados, defendeu o combate ao Custo Brasil, citando o excesso de tributação, a insegurança jurídica e a burocracia como entraves à competitividade e à confiança dos investidores. “Temos de resgatar a confiança e a credibilidade. Se conseguirmos reduzir carga tributária, simplificar a legislação, vamos reduzir esse custo do Brasil. As empresas nacionais vão ficar mais competitivas”, destacou.
O pré-candidato abordou, ainda, temas como defesa comercial, segurança pública e meio ambiente. Disse que pretende fazer um governo pragmático nas relações internacionais, desburocratizar e simplificar regulamentações ambientais e investir em segurança pública, incluindo a construção de mais presídios federais.
O senador disse que pretende potencializar a reindustrialização do Brasil, com atenção especial ao custo da energia, promovendo maior competitividade entre todos os tipos de energia, em especial o gás. Para isso, defendeu um rearranjo no aparato de legislação energética do País e o investimento em tecnologia e o uso de inteligência artificial como forma de promover mais eficiência em áreas como a de compras públicas.
Política industrial perene

Finalizando o encontro, Ronaldo Caiado destacou que a insegurança jurídica, o mercado ilícito e os juros abusivos são elementos que aumentam o chamado Custo Brasil e impedem a competitividade do setor produtivo. Segundo ele, o caminho para a retomada do crescimento econômico do País está na construção de uma política industrial perene. “Precisamos de uma política industrial forte, plurianual da indústria, com avanços na área de tecnologia e inovação. O Brasil já perdeu todas as oportunidades de políticas estruturantes. Nos tornamos um país acanhando, mesmo com tanta riqueza”, afirmou.
Caiado também disse que é necessária a realização de todas as reformas, com destaque para a reforma administrativa, para que o Brasil consiga alcançar o equilíbrio fiscal e a retomada do desenvolvimento econômico.
Sobre os quase oito anos à frente do governo do Estado de Goiás, o pré-candidato apresentou os resultados da sua gestão, com destaque para a construção de projetos para a área de educação e tecnologia. Além disso, ele ressaltou a utilização de sistemas de inteligência artificial, nas secretárias de Segurança Pública e de Meio Ambiente, para otimização de projetos.
Ainda sobre inteligência artificial, criticou o Brasil dizendo que “estamos atrasados” em assuntos como tecnologia e inovação e que isso impede o avanço em ciência, pesquisa e desenvolvimento. “O País não investe em conhecimento e o mercado internacional está focado apenas em commodities, o que traz desvantagens na área da competitividade”, analisou.
Ao encerrar o seu discurso, disse que ética e moral devem ser características imprescindíveis a um pré-candidato à presidência da República e que o Brasil, no atual momento político, precisa de pacificação e capacidade de diálogo para conseguir ser um País importante e respeitado no contexto mundial.
Fotos: Iano Andrade e Gabriel Pinheiro/CNI




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