Pesquisa

Aperto no salário pode custar empregos

Texto: Redação Revista Anamaco

Um novo estudo do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo (Ibevar) - FIA Business School mapeou, de forma inédita, o caminho que liga a perda do poder de compra das famílias brasileiras ao endividamento, à inadimplência bancária e, por fim, ao corte de vagas no comércio.
Usando um modelo estatístico de Vetores de Correção de Erros (VECM) - a mesma técnica usada por bancos centrais e instituições financeiras para simular efeitos em cadeia na economia -, a pesquisa mostra que um aperto no orçamento doméstico, hoje, pode se transformar em desemprego dali a um ano. 
O estudo analisou nove indicadores mensais - endividamento das famílias, atraso nas contas, inadimplência total e de recursos livres, inflação (IPCA), rendimento real, nível de ocupação e varejo (ampliado e restrito) - e identificou três relações de equilíbrio de longo prazo estatisticamente significativas que mantêm essas variáveis interligadas na economia brasileira. 
Entre os principais achados, o estudo revela que a dívida nasce do essencial, não do luxo. Segundo a pesquisa, 22,3% do endividamento das famílias em 12 meses é explicado pela queda do rendimento real e pelo aperto nas compras básicas (supermercado, farmácia, vestuário) - não por consumo supérfluo; o calote começa pequeno e escala: 65,1% da inadimplência em recursos livres (cartão de crédito, cheque especial) é contagiada pela inadimplência total do sistema em 12 meses. O calote grande raramente surge do nada: nasce de um pequeno atraso de 15 a 90 dias; o varejo dita o ritmo do emprego: 21,8% das oscilações no nível de ocupação são explicadas pelas vendas do varejo restrito - o maior fator externo sobre as vagas de trabalho no horizonte de um ano; a inadimplência realimenta a inflação: 11,0% das surpresas do IPCA em 12 meses vêm do aumento da inadimplência: mais calote eleva o risco bancário, encarece o crédito e pressiona os preços. “O endividamento e a inadimplência das famílias brasileiras não são fruto de imprudência financeira. São um mecanismo de defesa quase mecânico: a inflação corrói a renda, o crédito cobre o supermercado, o atraso nas contas vira calote e o comércio, sem vender, corta vagas. Nosso modelo mostra que esse ciclo se completa em até 12 meses”, explica Claudio Felisoni, presidente do Ibevar e professor da FIA Business School.

Foto: Adobe Stock

 

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