Brasil caminha para o pior ano de fechamento de empresas desde 2018
Texto: Redção Revista Anamaco
Um modelo estatístico inédito, que reconstitui 12 anos de fechamento de empresas no varejo brasileiro (2011-2022), aponta 2026 como candidato a repetir os dois piores anos da série histórica: 2018, ano da greve dos caminhoneiros e do pico da Lava Jato, e 2021, a ressaca econômica da pandemia. O motivo: 2026 reúne o mesmo ingrediente que produziu os dois maiores choques da década - crise institucional aguda em ano eleitoral -, e não o tipo de choque puramente macroeconômico que caracterizou a recessão de 2015, hoje a mais lembrada pela opinião pública, mas pelos números, a mais branda das três.
O estudo, batizado de “O terremoto de 2026", conduzido pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo (Ibevar), em parceria com a Fia Business School, isolou estatisticamente o efeito de cada ano sobre o fechamento de empresas em 13 segmentos do varejo, descontando o "temperamento" estrutural de cada setor.
A recessão de 2015-2016 - símbolo do colapso econômico da década, com PIB caindo cerca de 3,5% - empurrou o fechamento de empresas em apenas 5,5 pontos percentuais adicionais.
Os verdadeiros pontos de ruptura foram outros. Em 2018, a greve dos caminhoneiros somada à eleição mais polarizada em décadas e ao desgaste acumulado da Lava Jato produziu um salto de 25,9 pontos percentuais - cinco vezes o efeito da recessão "oficial" e o maior choque da série inteira.
Em 2021, a reversão da onda de formalização via MEI, combinada ao aperto abrupto da Selic (de 2% para 9,25% em doze meses), gerou o segundo maior choque: 21,3 pontos, a apenas 4,6 pontos de distância do pico de 2018. "Os dados são claros: crise política e ruptura institucional fecham mais empresas do que recessão econômica pura. O mercado brasileiro tolera mal a incerteza institucional, muito pior do que tolera a incerteza econômica convencional", afirma Claudio Felisoni, presidente do Ibevar e Professor da Fia Business School.
Para chegar à projeção, os pesquisadores testaram a qual dos quatro cenários históricos, ano normal, 2015, 2018 ou 2021, o cenário atual mais se assemelha. A resposta emerge dos próprios critérios do modelo: 2026 é um ano eleitoral extremamente polarizado (certamente mais polarizado do que 2028), que reúne a maior crise institucional desde o pico das operações da Lava Jato em 2018 - não um choque macroeconômico clássico como o de 2015. “Pelos parâmetros históricos, 2026 não se parece com 2015 - se parece com 2018. Se a analogia se confirmar, o fechamento de empresas neste ano deve testar os mesmos patamares extremos observados nos dois maiores terremotos da década e não repetir a estabilização suave registrada em 2022”, explica Felisoni.
Foto: Adobe Stock




|| Orgulhosamente desenvolvida por 