Impostômetro

Brasileiros já pagaram R$ 1 trilhão em 2026

Texto: Redação Revista Anamaco

O Impostômetro, painel localizado na sede da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), no Centro Histórico da capital paulista, alcançou a marca de R$ 1 trilhão em 27 de março. Esse valor representa o total de impostos, taxas e contribuições pagos pelos contribuintes brasileiros aos governos federal, estadual e municipal desde o início do ano, incluindo multas, juros e correção monetária.
No mesmo período do ano passado, o Impostômetro havia registrado R$ 972 bilhões. Dessa forma, o montante deste ano representa um crescimento de 2,9% e o mesmo valor foi alcançado três dias antes, o que indica uma aceleração no ritmo da arrecadação.
Ulisses Ruiz de Gamboa, economista da ACSP, explica que a antecipação decorre de uma combinação de fatores que impulsionaram a arrecadação tributária. “Ela se deve ao avanço da atividade econômica, que amplia a base de arrecadação, bem como a inflação, já que grande parte dos impostos incide sobre bens e serviços”, afirma.
O economista também aponta outros fatores que explicam o crescimento da arrecadação: a tributação de fundos exclusivos e offshores; alta na tributação dos juros sobre capital próprio; mudanças na tributação de incentivos (subvenções) concedidos por estados; retomada da tributação sobre combustíveis; a tributação das apostas (Bets); impostos sobre encomendas internacionais (como a taxa sobre as “blusinhas”); a reoneração gradual da folha de pagamentos; o fim de benefícios fiscais para o setor de eventos (PERSE); o aumento das alíquotas do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS); e o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
Já a plataforma Ga$to Brasil, que compartilha o painel com o Impostômetro e tem como objetivo mostrar, de forma clara e acessível, como o governo utiliza o dinheiro público, aponta que já foram gastos mais de R$ 1,290 trilhão em 2026.
Enquanto a arrecadação tributária soma cerca de R$ 1 trilhão, os gastos não financeiros (primários) do setor público, em todas as esferas de governo, ultrapassam R$ 1,29 trilhão no mesmo período, segundo dados da plataforma. “Esse desequilíbrio entre arrecadação e despesas primárias é preocupante porque mostra que o Brasil está operando no vermelho mesmo antes de pagar os juros da dívida. Isso compromete a sustentabilidade fiscal e pressiona a necessidade de ajustes estruturais nas contas públicas”, avalia Gamboa.

Foto: Adobe Stock

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