Chuvas e incerteza eleitoral frearam o varejo físico em setembro
Texto: Redação Revista Anamaco
O fluxo de visitantes no varejo físico brasileiro caiu 3,1% em setembro, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo o Índice de Intenção de Compra do Varejo (IICV Seed) da Seed Digital. O resultado reflete um conjunto de fatores que afetaram a circulação de consumidores pelo País, entre eles o excesso de chuvas em diferentes regiões, o feriado prolongado de 07 de setembro e um ambiente econômico marcado pela cautela diante das incertezas políticas e da pressão inflacionária.
O desempenho evidencia os desafios enfrentados pelo comércio em um período sem grandes datas promocionais, no qual as condições climáticas e a disposição dos consumidores para gastar ganharam relevância para o movimento nas lojas físicas.
Um dos principais destaques do levantamento é a diferença entre os canais de venda. Enquanto as lojas de rua registraram retração de 3,6% no fluxo de visitantes, os shopping centers apresentaram maior resiliência, com variação negativa de apenas 0,3% em relação a setembro de 2025. “A diferença sugere que a combinação de compras, gastronomia, serviços e lazer contribui para manter a atratividade dos shoppings mesmo em períodos menos favoráveis ao consumo. O comércio de rua, por sua vez, tende a sentir mais diretamente os efeitos da redução da circulação nos centros urbanos e das condições climáticas adversas, que dificultam o deslocamento dos consumidores”, observa Sidnei Raulino, fundador da Seed Digital.
Na análise por Região, o Nordeste foi o único a apresentar resultado positivo em setembro, com crescimento de 0,8% no fluxo de visitantes. As demais registraram retração, com destaque negativo para o Sul, cuja queda chegou a 10,2%. O Sudeste apresentou recuo de 1,8%, enquanto Centro-Oeste e Norte registraram baixas de 1,0% e 3,2%, respectivamente. “O cenário climático ajuda a contextualizar parte dessas diferenças. Em Curitiba, por exemplo, o volume acumulado de chuva chegou a 339,4 milímetros em setembro, ante uma média histórica de 129,5 milímetros. Em São Paulo, o acumulado atingiu 198,2 milímetros, tornando o mês um dos mais chuvosos do ano”, lembra o executivo.
O estudo aponta, ainda, a incerteza pré-eleitoral e a pressão inflacionária como fatores relevantes para o comportamento do varejo. Na análise de Raulino, em um cenário de dificuldade para antecipar os desdobramentos políticos e econômicos, consumidores tendem a adotar maior prudência nas decisões de compra, enquanto os varejistas precisam equilibrar estratégias promocionais, custos e preservação de margens. “A inflação, por sua vez, pressiona o orçamento das famílias e os custos de produção e logística do comércio, limitando o espaço disponível para gastos não essenciais”, acrescenta.
O histórico apresentado pelo levantamento mostra que o fluxo do varejo físico costuma cair, significativamente, aos domingos de eleição. No primeiro turno de 2026, realizado em 04 de outubro, a retração foi de 55,6% no fluxo desse dia. O segundo turno, que acontece hoje, 25 de outubro, representa uma nova interrupção potencial em um dia relevante para o comércio. “Nesse contexto, acompanhar a circulação de consumidores e as diferenças de comportamento entre regiões e canais torna-se importante para orientar decisões comerciais, o planejamento de ações promocionais e a gestão das operações”, finaliza.
Foto: Adobe Stock




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