Cenário Econômico

Confiança do empresário paulistano recua

Texto: Redação Revista Anamaco

Em junho, a confiança dos empresários do comércio paulistano registrou o pior patamar em cinco anos, de acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). O Índice de Confiança do Empresário do Comércio no Município de São Paulo (ICEC), avaliado mensalmente pela entidade, registrou 93,8 pontos no mês, uma queda de 1,1%, em relação a maio, e 7,1%, na comparação com o mesmo período do ano passado. Essa foi a quinta queda consecutiva do indicador.
Com o resultado, o ICEC permaneceu na zona de pessimismo, já que o índice varia de 0 (pessimismo total) a 200 pontos (otimismo total), sendo que a marca de 100 pontos separa o pessimismo do otimismo. Além do cenário econômico desafiador, marcado por juros elevados, inflação acima do teto da meta, endividamento e inadimplência das famílias em alta, a Federação avalia que decisões no campo político podem ter contribuído para aumentar o descontentamento dos empresários.  
Uma delas é o fim da isenção do imposto de importação para compras internacionais de pequeno valor (conhecida, popularmente, como “taxa das blusinhas”) e a aprovação, na Câmara dos Deputados, da PEC da redução da jornada de trabalho.
O efeito do fim da isenção pode ser observado na forte queda da confiança das empresas do segmento de semiduráveis (roupas, calçados e acessórios), um dos mais impactados pela medida. O índice do setor recuou 3,8% na comparação com o mês anterior. Em relação a junho do ano passado, a queda foi de 17,8%.
Dentre as três variáveis que compõem o indicador, duas registraram queda no comparativo mensal. O Índice das Condições Atuais do Empresário do Comércio (ICAEC) recuou 4%, passando de 71,9 pontos, em maio, para 69 pontos, em junho. Na comparação com junho de 2025, o índice recuou 6,2%. No segmento de semiduráveis, o ICAEC caiu 8,6% em relação a maio, para 52,5 pontos, e recuou 25,7% na comparação anual. 
O Índice de Condições Atuais é o componente com a pior avaliação dentro do ICEC, permanecendo abaixo dos 100 pontos pelo 40º mês consecutivo. Há mais de três anos, os empresários apontam pessimismo quanto às condições atuais da economia.
Na análise da Federação, esse resultado pode ser consequência da insatisfação com a rentabilidade dos negócios, pressionada pelos custos elevados, pelos juros altos e pelo ambiente econômico. Assim, embora as vendas tenham apresentado crescimento nos últimos meses, a percepção dos empresários sobre as condições atuais continua negativa. 
Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (IEEC), por sua vez, subiu levemente (0,5%), alcançando 113,3 pontos. Segundo a entidade, as expectativas quanto ao futuro têm sido o principal fator de sustentação da confiança dos empresários no período recente. Ainda assim, na comparação com junho do ano passado, o subíndice recuou 12,5%. No segmento de semiduráveis, as variações foram de -5,4%, em relação a maio, e de -21,8%, em comparação com junho do ano passado. 
Já o Índice de Investimento do Empresário do Comércio (IIEC) registrou queda de 0,8% em relação a maio e voltou para a zona de pessimismo, ao atingir 99,2 pontos. O indicador tem oscilado em torno dos 100 pontos desde o ano passado.
No mesmo sentido, o Índice de Expansão do Comércio (IEC) caiu 0,8% em junho, passando para 102,1 pontos. O indicador, analisado pela FecomercioSP, acumula perda de 5,5 pontos desde fevereiro. A variável que mede a Expectativa de Contratação de Funcionários (ECF) caiu pelo terceiro mês consecutivo, atingindo 112,8 pontos, o menor nível desde setembro de 2025 (107,6 pontos). O indicador registrou retração de 1,3% tanto na comparação com maio quanto em relação ao mesmo mês do ano passado.
Por outro lado, o Nível de Investimento das Empresas (NIE),  manteve-se praticamente estável (91,5 pontos), permanecendo abaixo da linha dos 100 pontos há 19 meses seguidos. Na comparação com maio, houve queda de 0,1%; em relação ao mesmo período do ano passado, o indicador avançou 1,7%.

Foto: Adobe Stock

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