Em agosto, do total de negativações, 86,72% foram de devedores reincidentes
Texto: Redação Revista Anamaco
Em agosto, o Indicador de Reincidência de Pessoas Físicas, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), revelou que, do total de negativações, 86,72% foram de devedores reincidentes. O dado refere-se a consumidores que já haviam aparecido no cadastro de inadimplentes nos últimos 12 meses.
No mês, dentro do universo de reincidentes, a maior parte (68,96%) ainda não havia quitado pendências antigas e foi negativada novamente. Outros 17,76% haviam saído do cadastro de devedores nos últimos 12 meses, mas retornaram. Apenas 13,28% dos negativados, em agosto, não tiveram restrições no CPF ao longo do último ano.
A pesquisa chama atenção para o tempo médio decorrido entre o vencimento de uma dívida e de demais pendências para os reincidentes: em agosto, esse período foi de 69,2 dias. Isso significa que, em média, após cerca de 2,3 meses do vencimento de uma dívida negativada, outra dívida já vence.
Os dados mostram, ainda, que, nos últimos 12 meses encerrados em agosto, houve crescimento de 15,96% no número de devedores reincidentes na comparação com os 12 meses anteriores.
José César da Costa, presidente da CNDL, observa que a expressiva reincidência na inadimplência evidencia a profunda dificuldade do brasileiro em manter as contas em dia e equilibrar o orçamento doméstico. “Frequentemente, mesmo com ocupação e renda, o custo de vida e as despesas cotidianas superam os ganhos, fazendo com que o orçamento se desorganize, rapidamente, resultando em acordos de renegociação que, na prática, não conseguem ser cumpridos", destaca.
A análise do perfil dos devedores reincidentes aponta que a faixa etária de 30 a 39 anos continua sendo a mais representativa, com 27,10% do total. Quanto à participação por sexo, a distribuição se mantém equilibrada: 53,95% mulheres e 46,05% homens.
O Indicador de Recuperação de Crédito de Pessoas Físicas, do SPC Brasil, por sua vez, mostra que, nos 12 meses encerrados em agosto, houve crescimento de 7,22% no número de consumidores que conseguiram sair das listas de negativados. A comparação é com os 12 meses anteriores.
O crescimento do indicador acumulado em 12 meses se concentrou no aumento da recuperação de consumidores que levaram de três a quatro anos (27,63%) para efetuarem o pagamento de todas suas dívidas.
Na análise por faixa etária daqueles que quitaram suas dívidas, o número de consumidores recuperados com participação mais expressiva no Brasil, em agosto, foi da faixa de 50 a 64 anos (24,72%). A participação dos consumidores recuperados por sexo segue bem distribuída, sendo 50,86% mulheres e 49,14% homens.
O estudo revela que cada consumidor recuperado pagou, em média, R$ 2.496,49 na soma de todas as dívidas que tinha. Os dados ainda mostram que 59,06% pagaram até R$ 500 nas dívidas.
Roque Pellizzaro Júnior, presidente do SPC Brasil, alerta que o retorno constante aos cadastros de devedores demonstra que a estabilidade financeira é frágil e que a renda familiar muitas vezes não acompanha o ritmo dos gastos. “Esse cenário reforça a urgência e a necessidade de um rigoroso controle de gastos e planejamento financeiro, evitando que o consumidor caia em um ciclo contínuo de novas dívidas e negociações frustradas”, finaliza.
Foto: Adobe Stock




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