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Emprego e inflação explicam variações da confiança do consumidor no Brasil

Texto: Redação Revista Anamaco

Estudo inédito realizado pelo Ibevar - FIA Business School mostra que emprego e inflação explicam 95% das variações da confiança do consumidor no Brasil, mas com efeitos diferentes no tempo.  O modelo econométrico foi estimado com base em séries temporais de março de 2012 a novembro de 2025. Dentro desse intervalo, destaca-se especialmente o período de 2021 a 2025, marcado por forte aperto monetário.
Nesse recorte, a taxa Selic saltou de 2% ao ano, em janeiro de 2021, para 13,25% ao ano em janeiro de 2025, chegando a 15% em janeiro deste ano. A estratégia contribuiu para reduzir o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 7,65% em 2021 para 4,06% em 2025. Em contrapartida, o saldo de empregos formais caiu 54%, passando de 2,78 milhões para 1,27 milhão de vagas. 
O levantamento aponta que 65% das variações do Índice de Confiança do Consumidor (ICC) são explicadas pelo nível de emprego, 30% decorrem das variações da inflação e apenas 5% estão associados a outros fatores. 
Segundo o estudo, no curto prazo, o mercado de trabalho tem impacto mais intenso: um aumento de um ponto percentual no emprego eleva a confiança em 2,45 pontos percentuais. Já a inflação produz efeito imediato negativo mais moderado: alta de um ponto percentual reduz a confiança em 0,6 ponto. 
Embora o emprego gere reação mais forte no momento inicial, a inflação apresenta efeito acumulado mais severo. Segundo o estudo, um aumento de um ponto percentual na inflação provoca queda de 3,67 pontos percentuais na confiança no longo prazo. 
O impacto total das variações econômicas sobre a confiança pode levar até 39 meses para se materializar integralmente, evidência de que choques inflacionários deixam marcas persistentes na percepção das famílias. 
Para Claudio Felisoni, presidente do Ibevar e professor da FIA Business School, os resultados reforçam que o emprego é o principal determinante do humor do consumidor no curto prazo, porém a estabilidade de preços é condição essencial para sustentar a confiança ao longo do tempo. ‘’O estudo contribui para o debate sobre política econômica ao demonstrar que crescimento do mercado de trabalho gera alívio imediato, mas o controle da inflação é fundamental para consolidar expectativas positivas de forma duradoura’’, conclui. 

Foto: Adobe Stock

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