Endividamento e inadimplência avançam
Texto: Redação Revista Anamaco
A Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), apurada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostra que o percentual de famílias que relataram possuir dívidas a vencer, como cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal e financiamentos, seguiu avançando em maio, alcançando 81,6% e, assim, renovando o maior patamar da série histórica.
De acordo com o estudo, o percentual de famílias que se consideram muito endividadas continuou a subir em maio, chegando a 17,0%, o maior percentual desde junho de 2024, e gerando maior cautela com o endividamento.
O percentual de inadimplência também mostrou crescimento no mês, ao variar para 29,9%. O percentual de famílias que relataram não possuir condições de quitar as dívidas em atraso manteve-se em 12,3% pelo terceiro mês consecutivo.
Nesse cenário, o cartão de crédito permanece como a modalidade de crédito mais utilizada pelas famílias (84,6%), seguido pelos carnês de loja (16,1%) e pelo crédito pessoal (13,1%), evidenciando a predominância de linhas de curto prazo no comprometimento do orçamento doméstico.
Já o tempo médio de atraso teve ligeira redução para 65,0 dias, após permanecer três meses em 65,1 dias. Sendo que 49,3% das famílias reportaram inadimplência superior a 90 dias, o menor nível desde o início do ano.
A pesquisa revela, ainda, que o percentual dos consumidores que têm mais da metade dos rendimentos vinculados às dívidas também teve redução (18,7%). A maior parte das famílias (55,7%) continua possuindo entre 11% e 50% da renda comprometida, com incremento na parcela com menos de 10% da renda comprometida, um fator positivo para o perfil do endividamento. Dessa forma, o percentual médio de comprometimento da renda com dívidas retraiu para 29,3% em maio, o menor resultado desde maio de 2019 (29,3%).
Outro fator favorável e que auxilia o menor comprometimento da renda foi o aumento do percentual de famílias com mais de um ano comprometidas com dívidas, que alcançou 33,3%, o maior nível desde abril de 2025 (33,4%). Com a possibilidade de maior prazo para pagamento, a amortização mensal é suavizada e dá maior fôlego para os consumidores.
Ao analisar os dados desagregados por faixa de renda, o levantamento apurou que o avanço anual do endividamento ocorreu na maioria das categorias, com maior intensidade entre as famílias com renda acima de dez salários mínimos (3,8 pontos percentuais), seguidas pelas que possuem até três salários (3,7 p.p.).
Em relação à inadimplência, o avanço mensal concentrou-se, principalmente, entre as famílias de menor renda, avançando 1,7 p.p., bem acima das outras faixas. Dinâmica semelhante é observada no indicador de famílias que declararam não ter condições de quitar dívidas em atraso. As famílias com renda até três salários registraram o único crescimento na comparação com maio do ano passado.
Foto: Adobe Stock




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