Endividamento e inadimplência

Endividamento renovou percentual histórico e inadimplência recuou em janeiro

Texto: Redação Revista Anamaco

A Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), revela que o percentual de famílias que relataram ter dívidas a vencer (cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de carro e casa) voltou a crescer em janeiro (79,5%), superando em 3,4 pontos percentuais o resultado do ano passado e com o maior endividamento da série histórica.
Além disso, o mês apresentou piora na percepção do endividamento, com aumento do percentual de pessoas que se consideram “muito endividadas” (16,1%, maior percentual desde outubro/25).
Esse fator, isoladamente, mostrou-se relativamente menos preocupante, já que foi acompanhado por uma ligeira redução do percentual de inadimplência, que atingiu 29,3%, a menor taxa desde abril do ano passado (29,1%), mas ainda se mantém além do resultado de janeiro de 2025. Em relação ao percentual de famílias que não terão condições de pagar as dívidas em atraso, houve avanço de 0,1 p.p., alcançando 12,7%, mesmo nível do resultado de 2025.
Com esse aumento do endividamento e sem condições de amortizar as contas atrasadas, o tempo com as dívidas atrasadas aumentou para 64,8 meses, o maior nível desde janeiro de 2025 (65,0 meses). Isso por conta de o percentual de famílias inadimplentes por mais de 90 dias ter tido aumento no mês, de 48,6% para 49,2%, maior percentual desde dezembro de 2024.
Outro fator desfavorável do mês é que o percentual dos consumidores que têm mais da metade dos rendimentos comprometidos com dívidas avançou 0,6 p.p. no mês, indo para 19,5%. A maior parte das famílias (56,2%) continua possuindo entre 11% e 50% da renda comprometida. Dessa forma, o percentual médio de comprometimento da renda com dívidas aumentou para 29,7% em janeiro, o maior nível desde maio de 2025 (29,8%), porém abaixo dos 30,0% de janeiro do ano passado.
Enquanto isso, os aumentos do percentual de famílias comprometidas com dívidas por mais de um ano continuaram esse mês, crescendo de 31,8% para 32,1%. Em relação ao ano passado (35,9%), houve uma queda, mas foi o maior resultado desde junho de 2025 (32,2%), demonstrando alongamento das dívidas e maior fôlego financeiro para os consumidores. Janeiro foi um mês positivo, mas que exigiu cautela por parte das famílias. Apesar de o aumento do endividamento ter vindo acompanhado por uma inadimplência praticamente estável, os juros altos dificultam a amortização das contam e tornam o orçamento cada vez mais apertado.
Ao analisar os dados desagregados por renda, pode-se perceber que o aumento mensal do endividamento ocorreu na maioria das faixas, principalmente naquelas com renda entre três e cinco salários. Já o percentual de inadimplência recuou no mês para as famílias com maior renda, sendo as com renda entre cinco e 10 salários as com maior queda tanto no mês quanto no ano. As com rendimento entre três e cinco foram as com maior avanço no mês. Em relação à falta de condições de pagar as dívidas atrasadas, as famílias com renda entre três e cinco salários foram novamente as com maior crescimento no mês, enquanto as que possuem acima de 10 salários foram as únicas com redução no indicador.
Projeções da CNC mostram que o endividamento deve continuar avançando no primeiro semestre deste ano, sendo esse recurso importante para as famílias manterem seu padrão de consumo. Além disso, a inadimplência deve permanecer em tendência de queda, com a espera do início de processo de queda da taxa Selic.

Foto: Adobe Stock

Endividamento renovou percentual histórico e inadimplência recuou em janeiro
Compartilhe esse post:

Comentários