Tributos

Especialista dá dicas para o varejo da construção atender à Reforma Tributária

Texto: Redação Revista Anamaco

A Reforma Tributária iniciou sua fase de testes, este ano, para vigorar, efetivamente, em 2027. André Maniezo, CEO da Infox Tecnologia, empresa com soluções para meios de pagamento e gestão no varejo de material de construção, alerta que o desafio para as lojas do setor vai além do ajuste de tarifas e regimes, passando, diretamente, pela revisão de sistemas. “Depois desse período de validação, não será possível improvisar”, destaca o executivo.
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o varejo do setor tem cerca de 162 mil empresas formalmente constituídas no Brasil. Maniezo frisa que a maior parte das lojas demorou para aderir a tecnologias mais avançadas de gestão.
Segundo dados do IEMI - Inteligência de Mercado, de forma geral, 90% das pequenas empresas ainda não eram digitalizadas antes da pandemia. “Isso aponta para a direção de que a jornada de transformações passa, diretamente, pela revisão de sistemas e processos. O varejista ainda tem um ano pela frente para ajustar operações e treinar equipes. Parece bastante tempo, mas é preciso considerar que tudo isso deve ser feito com o barco em movimento para chegar em 2027 atendendo 100% dos requisitos”, explica.
O CEO explica que o varejista precisa se atentar a oito pontos para se adequar totalmente à legislação em tempo: Realizar treinamento profundo e constante da equipe fiscal e de caixa: colaboradores responsáveis por emitir notas precisam entender em detalhes as novas regras, tags e o impacto do destaque de tributos. Simulações práticas e checklists reduzem erros. “Treine igualmente os operadores de ponto de venda, sobre como identificar itens com imposto seletivo, por exemplo”, ensina.
Além disso, o revendedor deve atualizar e testar seus sistemas (ERP, PDV, Faturamento): “Faça um cronograma de atualização com fornecedores de software e promova testes integrados (PDV - ERP - Contabilidade - Fisco). Execute emissão de notas fiscais “de teste” para validar a cadeia”, pontua.
Em outra frente, a dica é mapear a classificação fiscal dos produtos. De acordo com o executivo, uma classificação fiscal incorreta (NCM/Código de Serviço) pode gerar recolhimento errado. “Revise o catálogo de produtos com o contador e faça amostragens”, acrescenta.
Outra dica é revisar preços e margem por SKU. Para tanto, Maniezo explica que o varejista deve simular cenários com as novas alíquotas e ver quais SKUs ficam mais sensíveis. “Ajuste promoções e margens antes que a alteração ocorra em massa”, salienta.
Paralelamente, o lojista deve controlar as notas de entrada e saída para garantir a correta atribuição de créditos e evitar divergências na escrituração, fazer auditoria periódica e conciliar impostos apurados e recolhidos regularmente para detectar cedo variações; fazer planejamento de caixa, considerando possíveis mudanças no timing de recolhimento. Por dia, o executivo destaca que o lojista deve contar com a ajuda de especialistas. “A Reforma é complexa e terá interpretações operacionais durante a implementação. Consultoria fiscal e suporte técnico são investimento, não custo”, observa.
Maniezo também lembra que tempos de mudança tendem a causar volatilidade na demanda e na competição por preço. Neste cenário, o especialista destaca que ofertar crédito próprio, com cartão de crédito marca própria ou BNPL (Buy Now, Pay Later), aliado a outros serviços financeiros, ajudam o varejista. “Primeiro, a aumentar o ticket médio, já que clientes de lojas de material de construção compram mais quando há parcelamento ou condições próprias. Também é uma excelente forma de fidelizar com programas exclusivos de pontos ou cashback. Além disso, com políticas de crédito próprias, é possível controlar a receita e mitigar os riscos, já que o lojista define regras, prazos e limites. Por fim, é um meio de diversificar as fontes de receita com juros, tarifas e parcerias que geram novas margens”, finaliza.

Foto: Adobe Stock

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