Estudo do Ibevar-Fia Business School indica queda nas vendas de matcon
Texto: Redação Revista Anamaco
O varejo brasileiro deve manter um ritmo de crescimento moderado nos próximos três meses, mas por trás da média favorável esconde-se uma economia de duas velocidades: enquanto farmácias, vestuário e livrarias aceleram, o setor de móveis e eletrodomésticos caminha para uma queda de até 6,3% nas vendas, segundo projeção do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo (Ibevar) em parceria com a Fia Business School.
A pesquisa indica que o Varejo Restrito - que exclui veículos e material de construção - deve crescer 2,57% em setembro na comparação com o mesmo mês de 2025, com o acumulado em 12 meses avançando para 1,89%. O Varejo Ampliado, que soma esses dois segmentos, projeta alta mais modesta: 1,50% em setembro ante igual mês do ano anterior.
Por trás desse número agregado, a fotografia por categoria revela uma divergência acentuada: móveis e eletrodomésticos é o pior desempenho da lista: queda projetada de 1,70% em setembro, aprofundando para 3,64% em outubro e 6,29% em novembro na comparação anual, uma trajetória de deterioração acelerada, e não um tropeço pontual. O dado reforça, com números de vendas correntes, o quadro que já vinha sendo sinalizado pelas dificuldades financeiras recentes de redes do setor.
O setor de material de construção também opera no vermelho nos três meses (-1,96%, -3,00% e -2,89% na base anual), com o acumulado em 12 meses negativo.
Em sentido oposto, livros, jornais, revistas e papelaria dispara: alta de 6,99% em setembro ante o ano anterior, com acumulado de 12 meses em 5,48% - o segmento mais aquecido do varejo brasileiro no período; farmácias, produtos médicos e cosméticos mantêm crescimento consistente e robusto, com acumulado de 12 meses em 5,10%; vestuário, calçados e tecidos acelera mês a mês, saindo de alta de 3,05% em setembro para 4,32% em novembro (base anual), sinal de recuperação de fôlego no segmento e equipamentos de escritório e informática troca de sinal ao longo do trimestre: ainda positivo em setembro (+0,74%), mergulha para -7,39% em novembro - a reversão mais brusca da série.
Para Claudio Felisoni, presidente do Ibevar e professor da Fia Business School, o quadro sugere que o brasileiro segue gastando, mas de forma seletiva. “Prioriza itens de consumo recorrente e menor ticket (farmácia, papelaria, vestuário) e reduz a exposição a compras de maior valor e mais sensíveis ao crédito, como móveis, eletrodomésticos e material de construção, justamente os segmentos mais expostos ao aperto do crédito e ao ciclo mais longo de financiamento”, pontua.
Foto: Adobe Stock




|| Orgulhosamente desenvolvida por 