Impactada pelo Carnaval, intenção de compra no varejo recuou em fevereiro
Texto: Redação Revista Anamaco
Dados do Índice de Intenção de Compra no Varejo (IICV), estudo divulgado, mensalmente, pela Seed Digital, mostram que o varejo físico registrou retração de 10,2% no número de visitantes em fevereiro, comparado ao mesmo mês do ano anterior.
Sidnei Raulino, CEO da Seed Digital, explica que o resultado já era esperado pelo setor, considerando o impacto do Carnaval no comportamento de consumo. “Durante o período, parte dos consumidores redireciona seu tempo para atividades relacionadas à festa ou viagens, o que reduz o fluxo em lojas físicas”, pontua o executivo.
Segundo ele, outro fator relevante é que o Carnaval muda de mês a cada ano, alternando entre fevereiro e março, o que dificulta comparações diretas. “Assim, parte da retração observada em fevereiro também reflete uma base mais elevada registrada no ano anterior”, acrescenta.
Quando analisadas, especificamente, as semanas de Carnaval, de 13 a 18 de fevereiro, e comparadas ao período equivalente de 2025 (28 de fevereiro a 05 de março), o índice mostra leve alta de 0,6%. No ano passado, a festividade coincidiu com o final do mês, tradicionalmente marcado por menor consumo no varejo. Já em 2026, ocorreu logo após o período de pagamento, o que ajudou a reduzir, parcialmente, o impacto negativo.
Na análise regional, a pesquisa revela retração relativamente generalizada no País. O Sul apresentou a maior queda, com 17,2%, seguida pelo Sudeste (12,0%), Norte (8,4%) e Centro-Oeste (3,9%). Na contramão do movimento nacional, o Nordeste foi a única região a registrar variação positiva, com leve alta de 0,2%, resultado influenciado pela forte tradição carnavalesca e pelo fluxo turístico.
O estudo indica, ainda, que o recorte por modelo de operação também revela comportamentos distintos. Lojas de rua registraram queda de 11,8%, enquanto os shopping centers tiveram retração mais moderada, de 1,9% na comparação anual. O desempenho mais resiliente dos shoppings está ligado ao seu papel como polos de lazer, alimentação e entretenimento, que ajudam a amortecer parte da redução no consumo.
Raulino salienta que o resultado reforça o efeito sazonal da data no varejo físico. “O Carnaval altera significativamente a dinâmica de consumo, especialmente nas regiões onde as festividades acontecem nas ruas e em áreas comerciais. Ao mesmo tempo, quando analisamos, especificamente, os dias da festa, percebemos que o desempenho foi relativamente estável em relação ao ano passado, o que mostra que a demanda segue presente, apenas distribuída de forma diferente no calendário”, afirma.
Com o fim do Carnaval, o setor volta suas atenções para março, mês que se consolidou como um período de ativação de demanda no calendário comercial. Duas datas são, particularmente, relevantes: o Dia Internacional da Mulher (8 de março) e o Dia do Consumidor (15 de março). “Tradicionalmente forte para setores como moda, beleza e perfumaria, o Dia da Mulher contribui para elevar o ticket médio e impulsionar vendas após o período mais fraco do início do ano. Já o Dia do Consumidor ganhou força na última década no Brasil e, hoje, movimenta a chamada Semana do Consumidor, considerada pelo mercado uma espécie de “Black Friday do primeiro semestre”, marcada por promoções agressivas e giro de estoque”, finaliza o CEO.
Foto: Adobe Stock




|| Orgulhosamente desenvolvida por 