Tributos

Impostômetro atingiu R$ 2 trilhões no 1º semestre

Texto: Redação Revista Anamaco 

O painel do Impostômetro, instalado na sede da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), no Centro Histórico da capital paulista, marcou, no dia 27 de junho, R$ 2 trilhões em tributos pagos pelos contribuintes brasileiros desde o início do ano. O valor soma impostos, taxas e contribuições recolhidos pelos governos federal, estadual e municipal, incluindo multas, juros e correção monetária. A marca foi atingida seis dias antes do registrado no ano passado, quando o painel chegou aos R$ 2 trilhões em 03 de julho, representando um aumento na arrecadação de 3,1%.
Em 2024, o mesmo patamar foi alcançado somente no dia 24 de julho, o que significa 13,0% de aumento na tributação. Dez anos atrás, em 2015, o Brasil chegou a R$ 2 trilhões apenas em 09 de dezembro, o que significou praticamente dobrar a arrecadação. “A antecipação sistemática da data ao longo da última década reflete uma trajetória de crescimento contínuo da carga tributária sobre a economia brasileira”, explica Ulisses Ruiz de Gamboa, economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV) da ACSP.
Segundo ele, a aceleração em 2026 resulta de uma combinação de fatores: o aquecimento da atividade econômica amplia a base de arrecadação, ao mesmo tempo, a inflação pressiona os preços de bens e serviços e, como grande parte dos impostos incide sobre os preços, a arrecadação acompanha esse movimento. “Contribuem, ainda, para o ritmo acelerado medidas como a tributação de fundos exclusivos e offshores, alterações na tributação de subvenções estaduais, a retomada da tributação sobre combustíveis, a reoneração sobre a folha de pagamentos, o aumento do IOF sobre juros e câmbio, a elevação da tributação sobre juros do capital próprio, o fim dos benefícios para o setor de eventos e a incidência sobre apostas esportivas”, frisa.
A velocidade com que o País acumula R$ 2 trilhões em tributos ganha contornos ainda mais expressivos quando confrontada com o lado do gasto público. A plataforma Gasto Brasil, que compartilha o painel com o Impostômetro, indica que as despesas não financeiras do setor público nas três esferas de governo já superam a arrecadação estimada no mesmo período. Em 2025, quando o Impostômetro marcou R$ 2 trilhões, os gastos públicos já haviam ultrapassado R$ 2,58 trilhões. Neste ano, o Gasto Brasil já se aproxima de R$ 2,7 trilhões. "A arrecadação cresce, mas o gasto público cresce em ritmo ainda maior. Esse descompasso é o nó central das dificuldades fiscais do País e explica, em grande medida, por que a carga tributária continua pressionando famílias e empresas sem que haja uma contrapartida equivalente em serviços públicos de qualidade”, acrescenta Alfredo Cotait Neto, presidente da ACSP, da Facesp e da Confederação das Associações Comerciais do Brasil.

Foto: Adobe Stock

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