Endividamento e inadimplência

Inadimplência alcançou nove milhões de empresas brasileiras em abril

Texto: Redação Revista Anamaco

A inadimplência entre as empresas voltou a crescer em abril e atingiu, pela primeira vez desde o início da série histórica, o recorde de nove milhões de CNPJs negativados em todo o País, segundo Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian.  No período, o total de dívidas negativadas também bateu recorde e chegou ao volume de 63,7 milhões, somando R$ 220,9 bilhões. Em média, cada empresa inadimplente possuía 7,1 contas, com dívida média de R$ 24.665,91 por CNPJ e ticket médio de R$ 3.468,99.
Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, explica que o resultado representa um novo pico da série histórica e reforça a persistência de um ambiente de crédito ainda bastante restritivo para as companhias brasileiras. “O dado de inadimplência vem sinalizando uma tendência de manutenção em um patamar bastante elevado e com potencial de quebrar novos recordes ao longo de 2026. O ambiente de juros ainda muito altos, aliado à desaceleração da atividade econômica, mesmo que mais moderada do que se esperava inicialmente, pressiona o faturamento das empresas e reduz a capacidade de recomposição de caixa”, afirma.
De acordo com a economista, existe, hoje, um quadro bastante apertado para as companhias e, mesmo com o início do ciclo de cortes da taxa de juros, o nível ainda segue elevado e insuficiente para promover uma reversão mais consistente das condições de crédito. “A curva de juros continua em patamar de dois dígitos ao longo do tempo, o que causa dificuldades, especialmente para empresas que dependem de financiamento e do mercado de capitais para estruturar suas dívidas. Enquanto não houver uma mudança mais estrutural nesse cenário, ainda é muito cedo para afirmar qualquer reversão da tendência observada nos últimos anos”, avalia.
Nesse cenário, o setor de “Serviços” concentrou 55,6% das empresas negativadas em abril. Na sequência aparecem “Comércio” (32,4%), “Indústria” (8,1%) e o setor “Primário” (0,9%).
Em relação à origem das dívidas, a pesquisa indica que o maior peso ficou no segmento de “Serviços” (31,7%), seguido por “Bancos/Cartões” (19,4%), “Cooperativas” (8,6%), “Utilities” (7,0%) e “Telefonia” (5,7%).
Camila salienta que a composição das dívidas mostra que uma parcela importante da inadimplência está ligada à sustentação do capital de giro e à manutenção das operações das empresas. “Em um ambiente de crédito restritivo e juros elevados, as companhias acabam recorrendo mais ao crédito comercial e a diferentes instrumentos de financiamento, mas enfrentam maior dificuldade para administrar esse passivo diante do acúmulo de pendências. Isso prolonga o processo de regularização financeira”, explica.
O estudo revela que, regionalmente, o Sudeste concentrou o maior volume de empresas inadimplentes em abril, com destaque para São Paulo (3.076.064), seguido por Minas Gerais (881.652) e Rio de Janeiro (864.722). Na sequência apareceram Paraná (588.935) e Rio Grande do Sul (518.195). “A concentração acompanha o peso econômico e a maior densidade empresarial dessas regiões”, explica Camila.
Do total de empresas inadimplidas no País, as micro e pequenas seguiram como maioria expressiva, com 8,5 milhões de CNPJs negativados em abril, recorde desde o início da série histórica do indicador. O grupo concentrou o volume de 57,6 milhões de dívidas que somam R$ 191,8 bilhões. Em média, cada micro e pequena empresa acumulou 6,8 contas negativadas, com dívida média de R$ 22.503,39 e ticket médio de R$ 3.328,73. “As micro e pequenas empresas continuam sendo as mais vulneráveis a um ambiente de crédito restritivo, porque dependem mais de linhas de curto prazo e possuem menor capacidade de negociação. Com juros ainda elevados e maior seletividade na concessão de crédito, essas empresas enfrentam dificuldades adicionais para recompor capital de giro e administrar o fluxo de caixa, o que contribui para a permanência da inadimplência em níveis elevados”, finaliza a economista.

Foto: Adobe Stock

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