Endividamento e inadimplência

Inadimplência atingiu 75,05 milhões de consumidores em setembro

Texto: Redação Revista Anamaco

O Brasil registrou em setembro, 75,05 milhões de brasileiros com contas em atraso. O dado faz parte do Indicador de Inadimplência da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil. Esse volume representa 44,67% da população adulta brasileira.
José César da Costa, presidente da CNDL, observa que o avanço da inadimplência mostra que o consumidor brasileiro enfrenta dificuldades não apenas para quitar suas dívidas, mas também para manter o nome limpo. “O cenário de juros elevados encarece o crédito, compromete uma parcela maior da renda com o pagamento de dívidas e reduz a capacidade de reorganização financeira das famílias. Mesmo quando consegue negociar um débito, o consumidor continua pressionado pelas despesas do dia a dia e pelo peso de outros compromissos financeiros, o que aumenta o risco de novos atrasos e torna a saída da inadimplência um desafio cada vez mais complexo”, destaca.
A pesquisa revela que a maior concentração de devedores está entre 30 e 39 anos (23,35%), somando 18,06 milhões de pessoas. Isso significa que mais da metade (53,30%) da população nesta faixa etária está negativada. A participação dos devedores por sexo segue bem distribuída, sendo 51,38% mulheres e 48,62% homens.
Na análise por Região, o Sul apresentou a alta mais expressiva no número de inadimplentes na comparação anual, com crescimento de 9,75%, seguido pelo Centro-Oeste (7,74%), Norte (7,25%), Sudeste (5,60%) e Nordeste (4,58%).
Em setembro, cada inadimplente devia, em média, R$ 5.240,29. Além disso, cada devedor possui dívidas com cerca de 2,36 empresas credoras. Os dados mostram, ainda, que quase três em cada dez consumidores (28,69%) tinham dívidas de valor de até R$ 500, percentual que chega a 40,75% quando se fala de dívidas de até R$ 1.000.
Roque Pellizzaro Júnior, presidente do SPC Brasil, frisa que os  programas de renegociação são importantes para oferecer condições mais acessíveis de pagamento, mas, isoladamente, não conseguem resolver o problema do endividamento das famílias. “Muitos consumidores possuem dívidas negativadas com diferentes credores, o que significa que regularizar uma pendência não é suficiente para recuperar a saúde financeira. Além disso, o acúmulo de contas, os juros elevados e o orçamento apertado dificultam o cumprimento dos acordos e favorecem a reincidência na inadimplência. Esse cenário evidencia que o grande desafio não é apenas retirar o nome dos cadastros de devedores, mas criar condições para que o brasileiro consiga permanecer fora deles.”, pontua.
O levantamento mostra, ainda, que, em setembro, o número de dívidas em atraso no Brasil teve crescimento de 13,62% em relação ao mesmo período de 2025. Na passagem de agosto para setembro, o número de dívidas apresentou alta de 3,07%.
Abrindo a evolução do número de dívidas por setor credor, destacou-se a evolução das dívidas com setor de Comunicação com crescimento de 17,84%, seguido de Bancos (12,89%) e Água e Luz (12,08%). Em outra direção, as dívidas com o setor credor de Comércio (-1,77%) apresentaram queda no total de dívidas em atraso.
Em termos de participação, o setor credor que concentra a maior parte das dívidas é o de Bancos, com 65,95% do total. Na sequência, aparece Água e Luz (10,14%), o setor de Outros com 9,82% e Comércio com 8,12% do total de dívidas.
Na abertura por Região em relação ao número de dívidas, a maior alta veio do Sul (17,19%), seguido pelo Norte (14,99%), Centro-Oeste (14,36%), Sudeste (12,62%) e Nordeste (10,40%).
Em termos regionais, o maior percentual de inadimplentes está no Centro-Oeste, onde 48,74% da população adulta está incluída em cadastros de devedores. Por outro lado, na Região Sul, a proporção de negativados equivale a 41,01% da população adulta.

Foto: Adobe Stock

Inadimplência atingiu 75,05 milhões de consumidores em setembro
Compartilhe esse post:

Comentários