Inadimplência bateu novo recorde e atingiu 75,06 milhões de consumidores em maio
Texto: Redação Revista Anamaco
O Brasil bateu mais um recorde consecutivo de inadimplência em maio, com 75,06 milhões de brasileiros com contas em atraso. Esse volume representa 44,80% da população adulta brasileira. Os dados fazem parte do Indicador de Inadimplência da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil. O crescimento do indicador anual se concentrou no aumento de inclusões de devedores com tempo de inadimplência de quatro a cinco anos (38,35%).
José César da Costa, presidente da CNDL, observa que, mesmo com o Programa Desenrola, que cumpre um papel fundamental de limpeza e de resgate de CPFs, a conjuntura geral, que sufoca o orçamento familiar, não se alterou. “Muitos consumidores que recorreram ao Desenrola conseguiram renegociar uma fatia de seus débitos, mas permaneceram com outras pendências financeiras ou assumiram novos compromissos que voltaram a atrasar. A piora do cenário macroeconômico, alta do dólar e juros altos, exercem pressão direta sobre a inflação e o custo de vida”, destaca o executivo.
O estudo mostra que a maior concentração de devedores tem idade entre 30 e 39 anos, somando 18,23 milhões de pessoas. Isso significa que mais da metade (53,79%) da população nesta faixa etária está negativada. A distribuição é equilibrada, com leve predominância feminina: sendo 51,34% mulheres e 48,66% homens.
Na análise por Região, o Sul apresentou a alta mais expressiva no número de inadimplentes na comparação anual, com crescimento de 9,86%, seguido pelo Norte (9,52%), Sudeste (7,94%), Centro-Oeste (7,08%) e Nordeste (6,04%).
Em maio de 2026, cada inadimplente devia, em média, R$ 5.145,04. Além disso, cada devedor possui dívidas com cerca de 2,34 empresas credoras. Os dados ainda mostram que quase três em cada dez consumidores (29,19%) tinham dívidas de valor de até R$ 500, percentual que chega a 41,52% quando se fala de dívidas de até R$ 1.000.
Roque Pellizzaro Júnior, presidente do SPC Brasil, frisa que o avanço da inadimplência coincide com um período historicamente forte para o comércio, batizado de ‘Super Junho’ devido à concentração do Dia dos Namorados, das Festas Juninas e do apelo dos jogos da Copa do Mundo. “O setor lojista vê este cenário com cautela. Trata-se de um período de forte tentação de consumo e apelo emocional, inserido em um contexto financeiro já bastante adverso para a população. A combinação de renda comprimida, juros altos e forte estímulo às compras acende um alerta para o risco de um endividamento ainda maior nas próximas semanas”, destaca.
Em maio, o número de dívidas em atraso no Brasil registrou crescimento de 15,64% em relação ao mesmo período de 2025. Na passagem de abril para maio, o número de dívidas apresentou alta de 0,41%.
Na análise do número de dívidas por setor credor, destacou-se a evolução das dívidas com Água e Luz com crescimento de 24,93%, seguido de Comunicação (16,22%) e Bancos (14,63%) Em outra direção, as dívidas com Comércio (-0,22%) apresentaram queda no total de dívidas em atraso.
Em termos de participação, o setor credor que concentra a maior parte das dívidas é o de Bancos, com 66,19% do total. Na sequência, aparece Água e Luz (10,68%), o setor Outros com 9,25% e Comércio com 8,24% do total de dívidas.
Na abertura por Região em relação ao número de dívidas, a maior alta veio do Norte (17,49%), seguida pelo Sul (16,88%), Sudeste (15,09%), Centro-Oeste (14,08%) e Nordeste (12,28%).
Em termos regionais, o maior percentual de inadimplentes está na Região Norte, onde 48,48% da população adulta está incluída em cadastros de devedores. Por outro lado, no Sul, a proporção de negativados equivale a 40,78% da população adulta.
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