Incerteza com o trabalho e inadimplência derrubaram intenção de consumo
Texto: Redação Revista Anamaco
A Intenção de Consumo das Famílias (ICF), apurada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), recuou 0,6% em agosto, na comparação dessazonalizada com julho, atingindo 104,9 pontos.
A retração do indicador foi liderada pela forte deterioração da percepção sobre o futuro do mercado de trabalho: o componente de Perspectiva Profissional teve o maior recuo do mês (-1,9%) e registrou uma expressiva baixa de 9,9% frente ao mesmo período do ano passado.
José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, frisa que o comportamento mais cauteloso das famílias ocorre em meio a um ambiente financeiro pressionado. “O avanço da inadimplência entre empresas gera ruídos em toda a atividade econômica e afeta, também, a confiança dos trabalhadores ao ameaçar a estabilidade de suas ocupações”, completa.
De acordo com a pesquisa, embora a avaliação do Emprego Atual tenha registrado leve ganho de 0,1% no mês, sustentando a maior pontuação da pesquisa (127,7 pontos), a apreensão em relação aos meses seguintes prevalece. A percepção de fragilidade na saúde financeira das empresas faz com que o consumidor adote uma postura de prevenção, segurando decisões de gasto. “A melhoria de alguns fatores de consumo, como a inflação dentro da meta e a - ainda tímida - redução da Selic, não foi suficiente para sustentar a percepção do consumidor no curto prazo. Isso porque o mercado de trabalho é chave para essa sensação de segurança. Mesmo aquecido, a perspectiva é de menos certeza do que já foi”, avalia Catarina Carneiro, economista da CNC.
O estudo revela, ainda, que a retração nas intenções de compra espalhou-se por quase todos os subíndices analisados. Na margem, houve quedas na Renda Atual (-0,6%), no Nível de Consumo Atual (-0,5%), no Acesso ao Crédito (-0,3%) e no Momento para Duráveis (-1,3%). A disposição para adquirir bens de maior valor até apresenta avanço de 17,5% no confronto anual, mas permanece em patamar desfavorável ao marcar 75,8 pontos (abaixo do nível neutro de 100 pontos).
A perda de fôlego no consumo mensal ocorreu com a mesma intensidade nas diferentes faixas de rendimento, registrando queda de 0,6% tanto no grupo com ganho de até 10 salários mínimos (102,5 pontos) quanto no estrato superior a 10 salários (117,4 pontos).
Foto: Adobe Stock




|| Orgulhosamente desenvolvida por 