Indústria do cimento lança ferramenta e deve acelerar a descarbonização no Brasil
Texto: Redação Revista Anamaco
A indústria brasileira de cimento deu um passo decisivo rumo à economia circular. A Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) lançaram a Ferramenta de Mapeamento de Resíduos de Biomassa (FMRB), uma plataforma tecnológica projetada para viabilizar a substituição de combustíveis fósseis por fontes renováveis em larga escala.
O projeto, que integra o Programa Euroclima no Brasil, revelou um potencial nacional de grande escala, distribuídos em 2,5 mil municípios. Baseada em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e organizada em 12 clusters regionais, a ferramenta funciona como um ambiente de simulação técnica e econômica. A plataforma de metodologia única integra variáveis de oferta, potencial energético, preço e logística, permitindo que as unidades fabris estruturem cadeias de suprimento de longo prazo e reduzam a exposição à volatilidade do mercado.
Essa estratégia está alinhada ao Roadmap de Descarbonização do setor, que estabelece a meta de neutralidade climática (Net Zero) até 2050. Enquanto a indústria mundial de cimento responde por cerca de 8% das emissões globais de CO2, a indústria brasileira apresenta indicadores, significativamente, menores, entre 2% e 2,5% do total nacional.
De acordo com o Panorama do Coprocessamento - Brasil 2025 (ano-base 2024), o País registrou, aproximadamente, 30% de substituição térmica via coprocessamento de biomassa, pneus e resíduos - o que evitou a emissão de 2,8 milhões de toneladas de CO2 no último ano. O desafio, agora, é elevar essa taxa para 70% nas próximas décadas.
Além de racionalizar a logística de captação, a FMRB pode atuar como uma importante salvaguarda ambiental. Ela fornece a base técnica necessária para se buscar priorizar resíduos agrícolas que hoje seriam descartados de forma ineficiente. Com isso, minimiza-se a demanda do uso de madeira de supressão nativa, hoje existente no mercado em geral.
Das 156 culturas analisadas, a ferramenta priorizou as 16 tipologias com maior viabilidade energética para o setor. “Os resultados consolidados na FMRB integram dados técnicos e territoriais, permitindo identificar oportunidades concretas para expandir o coprocessamento e estruturar cadeias de suprimento de longo prazo, com menor intensidade de carbono”, destaca Daniel Mattos, diretor de Coprocessamento da ABCP.
A iniciativa é um pilar do Programa Euroclima, implementado pela agência alemã GIZ em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O lançamento ocorreu em São Paulo, reunindo lideranças públicas e privadas focadas em fortalecer a articulação entre a indústria, o governo e a cooperação internacional. “A cooperação no âmbito do Programa Euroclima fortalece o avanço de soluções concretas de descarbonização, aliando competitividade, inovação e sustentabilidade – um passo importante para uma transição energética estruturada” afirma Paulo Camillo Penna, presidente da ABCP e do SNIC.
Foto: Adobe Stock




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