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Indústria está mais seletiva na diversificação de portfólio, aponta estudo

Texto: Redação Revista Anamaco

O Índice de Diversificação de Portfólio de Produtos, da Associação Brasileira de Automação-GS1 Brasil, aponta que o setor industrial de transformação brasileiro apresentou um desempenho positivo no primeiro semestre, no que se refere a investimentos em portfólio.
No período, a diversificação de portfólio cresceu 3,4% sobre o mesmo período do ano anterior, apontando uma retomada após a retração de 3,9% observada em 2025, indicando que mais empresas estão diversificando seus portfólios.
Segundo o Indicador, o número de empresas que renovou seus produtos aumentou 5,7% e o de mercadorias que chegaram ao mercado, 0,6%. No acumulado de 12 meses, esses valores correspondem a 4,2%, 6,4% e 1,7%, respectivamente.
O Índice é um indicador econômico antecedente, que mede a execução da renovação e diversificação de portfólio da indústria com base em registros de produtos e empresas, e que contribui para a antecipação de tendências. Ele engloba o componente Fabricantes, que acompanha a participação das empresas na execução dos registros, refletindo a abrangência da renovação de portfólio na indústria, e o componente Mercadorias mensura a variedade de itens registrados, evidenciando a intensidade da diversificação dos produtos.
Paralelamente, o Índice de Atividade Industrial registrou queda de 0,5% nos primeiros seis meses deste ano e de 12,4% em 12 meses. A comparação aponta a menor intenção de lançamentos de produtos, demonstrando um posicionamento mais conversador dos fabricantes.
Nesse cenário, o setor de material de construção registrou crescimento de 23,5% no primeiro semestre, impulsionado tanto pela ampliação do número de Fabricantes participantes (5,8%) quanto pelo avanço expressivo de Mercadorias (46,5%). “Os dados mostram que a diversificação de portfólio ocorreu de forma disseminada entre as empresas, sustentada principalmente pelo aumento da intensidade dos registros de produtos”, explica Marina Pereira, gerente de Pesquisa & Desenvolvimento da Associação.
No acumulado dos últimos 12 meses, o setor também manteve trajetória positiva, com expansão de 30,0%. Entre os 24 segmentos da indústria de transformação analisados, o de material de construção posicionou-se entre os cinco com melhor desempenho no primeiro semestre de 2026 e o quarto com melhor performance no acumulado dos últimos 12 meses.
Na avaliação da gerente, historicamente, o setor de material de construção concentra uma parcela relevante de seus registros de produtos no segundo semestre, especialmente entre os meses de julho a outubro, o que eleva a relevância do resultado, sinalizando um ambiente favorável à renovação e à diversificação de portfólio.
Marina observa que as preferências dos consumidores refletem no que a indústria está mapeando para produzir produtos mais alinhados ao comportamento do público alvo. “O resultado demonstra a busca das empresas por melhor adaptação a mercados distintos, internos e externos, especialmente diante de acordos comerciais e tarifaços e uma diversificação mais disseminada entre os fabricantes e mais seletiva na ampliação dos produtos”, explica.
Segundo ela, o desempenho por porte também evidencia diferenças na execução das estratégias de portfólio. As empresas de maior porte registraram crescimento de 11,9% no período, as pequenas  apresentaram alta de 0,8% e as microempresas recuaram 2,3%. Em 12 meses, as maiores acumularam crescimento de 12,6%, as pequenas tiveram queda de 0,3% e microempresas permanecem próximas da estabilidade (-0,2%).
Regionalmente, o Norte avançou 40,7%, embora a Região represente uma parcela menor da estrutura industrial nacional, com alta, nos últimos 12 meses, de 19,4%. O Centro-Oeste cresceu 6,1% no semestre e 11,1% em 12 meses; Sudeste e Sul elevaram 4,7% e 2,1%, respectivamente. Por outro lado, o Nordeste teve recuo de 5,7% no primeiro semestre e de 5,1% nos últimos 12 meses.
Marina observa que a análise da trajetória do indicador deve considerar as mudanças de cenário que influenciaram o planejamento, os investimentos e as estratégias de desenvolvimento de produtos da indústria brasileira. “É importante lembrar que entre 2020 e 2025, o cenário nacional foi marcado pelos efeitos da pandemia de Covid-19 e por transformações econômicas, produtivas e logísticas, que levaram as empresas a reorganizarem as cadeias globais de suprimentos e enfrentarem o processo de retomada da atividade econômica, pressões inflacionárias e conflitos geopolíticos que influenciaram o ambiente de negócios em escala global”, pontua.
A evolução da série histórica mostra que a diversificação de portfólio não ocorreu de forma linear. Após o crescimento de 23,8% no primeiro semestre de 2021, o indicador teve alta de 11,7% em 2022, de 21,9% em 2023 e de 0,5% no primeiro semestre de 2024. No entanto, de 2021 a 2024, os avanços relacionaram-se mais ao componente Mercadorias, enquanto o número relativo ao primeiro semestre de 2026 estão mais ligados ao componente Fabricantes, que avançou 5,7%, contra 0,6% de Mercadorias.
O Índice tem como base mercadorias e fabricantes de 24 setores, de todos os Estados brasileiros, de médio e grande porte, cadastrados nas bases de dados da GS1 e que vêm apostando de lançamentos mais direcionados. As empresas de maior porte apresentaram maior intensidade de diversificação.
Para a identificação do setor de Material de Construção, foram considerados os CNAEs relacionados à fabricação de produtos de minerais não metálicos (Divisão 23), incluindo atividades como fabricação de cimento, artefatos de concreto, fibrocimento, gesso e material semelhante, além da fabricação de produtos cerâmicos.

Foto: Adobe Stock

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