Insegurança pública: custo estrutural ao comércio
Texto: Redação Revista Anamaco
Ao operarem em regiões inseguras ou se relacionarem com consumidores com medo e expostas a casos de violência, metade (52%) das empresas do comércio na cidade de São Paulo gasta parte das receitas para se proteger da insegurança. O dado faz parte de uma sondagem sobre segurança pública da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), que ouviu 500 empresas do setor na capital paulista.
O estudo mostra que cerca de um quarto (25,6%) investe em câmeras e sistemas de monitoramento, enquanto outras 6,4% optaram por serviços de vigilância ou rondas. Além disso, 15,6% combinam estratégias diferentes. Em outras palavras, mais da metade das empresas do setor paga por uma função que deveria ser do Estado.
Quando perguntado sobre a mudança mais relevante nessa rotina dos negócios, 24,8% do empresariado aponta aumento de gastos com a segurança, enquanto 12,6% notam uma redução no fluxo de consumidores.
A sondagem também revela um contraste: 62% dos negócios afirmam não terem sido afetados por problemas de segurança no último ano. Apenas 12% foram impactados diretamente e 15% no entorno, com 11% afetados de forma indireta.
A avaliação da Federação é que, embora essa exposição direta ao crime seja minoritária, a resposta defensiva é majoritária. Assim, a insegurança pública se tornou um custo estrutural, porque foi incorporada aos custos para além da experiência concreta de casos de violência. Um dado que comprova esse diagnóstico é que mais da metade das empresas não avalia o ambiente ao redor de suas operações como efetivamente seguro.
A pesquisa indica, ainda, que, em relação aos reflexos da insegurança nos hábitos dos consumidores, 12,8% dos negócios notaram aumento da preferência por compras on-line ou no modelo delivery. Outros 12,6% observam os clientes evitarem ir ao local físico nos horários e nos dias que tendem a ser mais perigosos.
O estudo mostra que o maior temor do comerciante, sobretudo, é de sofrer um assalto (63% dos casos), seguido de quem teme que um cliente ou os funcionários sejam roubados (56%). Crimes digitais figuram como a terceira maior preocupação (55%), à frente do vandalismo e do roubo de carga.
A FecomercioSP também perguntou ao empresariado quais medidas observa serem mais necessárias para melhorar a situação, ouvindo de 32% que uma presença mais ostensiva da polícia é fundamental. Na sequência, o combate ao crime organizado e à receptação, com 18,2%.
Os dados da sondagem também mostram que insegurança reflete nas empresas conforme o porte. De um lado, as grandes se sentem mais expostas à violência tanto no entorno (22%, contra 15% da média geral) como diretamente (16%), enquanto nas micro e pequenas, esse porcentual é de 12%.
As grandes também têm mais dificuldades de contratar e manter funcionários por causa da segurança (16%, contra 14% das médias e 4% das micro). Uma possível explicação para essa discrepância nos resultados é que grandes empresas do varejo costumam trabalhar em horário estendidos (noturno) e até mesmo em operações 24 horas, períodos em que a insegurança e os casos de violência são maiores.
Por outro lado, as micro e pequenas empresas são as mais atingidas no fluxo de consumidores (15,9% relatam redução de fluxo como principal impacto, ante 8,1% nas médias e 4% nas grandes). Assim, o segmento com menos capacidade de absorver perdas é justamente o mais penalizado no consumo.
Foto: Adobe Stock




|| Orgulhosamente desenvolvida por 