Intenção de consumo em alta
Texto: Redação Revista Anamaco
Dados apurados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostram que a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) avançou 1,2% em abril, descontados os efeitos sazonais, continuando o processo de alta pelo sexto mês consecutivo. Com isso, o indicador alcançou 104,5 pontos. O resultado foi marcado por alta de todos os componentes da pesquisa, indicando crescimento generalizado da confiança das famílias.
O destaque do mês foi o Momento para Compra de Duráveis (2,5%), que manteve o movimento de recuperação observado nos últimos meses, após um período prolongado de retração ao longo de 2025, fortemente impactado pelo nível elevado da taxa de juros. Segundo a entidade, ainda que o indicador permaneça em nível pessimista (74,0 pontos), a sequência de avanços sugere melhora gradual da percepção das famílias, em um contexto de menor pressão inflacionária sobre bens duráveis.
Esse movimento tem sido favorecido pela dinâmica mais benigna dos preços dos bens duráveis. Em março, itens como eletrodomésticos (-0,15%) e veículos (-0,05%) registraram queda de preços na margem, enquanto móveis e eletroeletrônicos apresentaram variações inferiores à inflação geral (0,88%). Na análise de 12 meses, a desaceleração é ainda mais evidente, com destaque para as quedas acumuladas em eletrodomésticos (-7,19%) e eletroeletrônicos (-4,33%), contrastando com a inflação geral de 4,14%. Além disso, a apreciação cambial tem contribuído para reduzir os custos de bens comercializáveis, especialmente aquelas com maior conteúdo importado. Esse conjunto de fatores tem contribuído para melhora da avaliação do momento de aquisição de bens duráveis.
Em relação à comparação anual, a ICF manteve trajetória positiva, com alta de 3,1% frente a abril do ano passado, registrando o quinto resultado consecutivo de alta. Entre os componentes, o destaque anual foi também do grupo Momento para Compra de Duráveis - ICF, que apresentou crescimento de 18,8%.
A pesquisa indica que, apesar de o mercado de trabalho seguir em patamar historicamente favorável, com baixa taxa de desocupação e avanço dos rendimentos, há sinais de acomodação na margem, em linha com a desaceleração da atividade. Esse cenário se reflete no Emprego Atual - ICF que subiu 0,8% no mês, mas permanece praticamente estável na comparação anual (-0,3%), enquanto a Perspectiva Profissional - ICF, mesmo com alta mensal (+2,0%), segue em queda frente ao ano passado (-5,4%), o que indica maior cautela das famílias quanto à evolução futura do emprego.
Considerando todos os fatores de consumo com ajuste sazonal, a Perspectiva de Consumo - ICF avançou 0,8% na comparação mensal e manteve crescimento em relação ao ano passado (+3,0%), reforçando a trajetória de recuperação do indicador.
O Nível de Consumo Atual - ICF também apresentou alta no mês (+0,3%). O estudo revela que os dados de abril indicam continuação da melhora do consumo, impulsionada pela recuperação da demanda. Mesmo assim, o patamar ainda inferior a 100 pontos do consumo atual reflete um ambiente econômico ainda restritivo, marcado pelo nível elevado de juros que segue limitando decisões de consumo mais imediatas, apesar da renda em alta e do mercado de trabalho ainda resiliente.
Outro dado apurado pelo levantamento mostra que a intenção de consumo em abril apresentou crescimento relevante em ambas as faixas de renda. Na comparação mensal, o destaque foi o grupo de famílias com renda de até 10 salários mínimos, com alta de 1,3%, enquanto as famílias de maior renda avançaram 1,2% diante do mês anterior. Na comparação anual, o desempenho também foi liderado pelas famílias de menor renda.
O Momento para Compra de Duráveis - ICF, por sua vez, cresceu em ambos as faixas de renda, embora com intensidades distintas. Entre as famílias de renda de até 10 salários mínimos, o indicador apresentou alta de 21,5% na comparação anual, enquanto para aquelas com renda superior a 10 salários mínimos, o crescimento foi de 10,4%. Na análise mensal, também houve avanço nos dois grupos, de 2,5% e 2,1%, respectivamente, contribuindo para o aumento de 2,5% no indicador geral.
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