Cenário Econômico

Intenção de consumo subiu em fevereiro e atingiu o maior patamar desde maio de 2024

Texto: Redação Revista Anamaco

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF), indicador antecedente do potencial das vendas no comércio, apurado mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), continua a crescer, impulsionada pela percepção de melhor momento para compra de bens duráveis, principalmente entre as famílias de menor renda.
A ICF avançou 0,6%, em fevereiro, descontados os efeitos sazonais, continuando o processo de alta dos três meses anteriores. Com isso alcançou 104,3 pontos, o maior patamar desde maio de 2024 (104,5 pontos).
O índice apresentou alta da maioria dos itens da pesquisa nessa comparação, com Emprego Atual - ICF e Renda Atual - ICF sendo as exceções (-0,7% em ambos os casos), interrompendo a tendência de alta que demonstravam desde novembro do ano passado.  Enquanto Momento para Compra de Duráveis - ICF continuou tendo o maior crescimento (+4,0%) e alcançou o maior nível desde abril de 2015.
Em relação à comparação anual, a tendência da ICF também permaneceu, com aumento de 1,5% frente a fevereiro do ano passado, terceiro mês consecutivo. Contudo, teve influência do mercado de trabalho. A taxa de desemprego terminou 2025 em seu menor patamar histórico (5,1%), pressionando novas contratações. Assim como a evolução do emprego apresentou avanço de 2,7% no ano passado, abaixo dos 3,7% obtidos em 2024, corroborando a desaceleração da Perspectiva Profissional - ICF.
O Emprego Atual - ICF começou a apresentar queda em fevereiro (-0,7%), após três meses de alta mensal. Enquanto, a Perspectiva Profissional - ICF aumentou 0,5%, após seis meses de resultados negativos. Já na comparação anual, a percepção em relação ao emprego se deteriorou tanto no curto quando médio prazo, com o Emprego Atual - ICF caindo 0,3% e a Perspectiva Profissional menor do que em fevereiro de 2025 (-5,2%).
Assim como na análise mensal, Momento para Compra de Duráveis - ICF obteve o maior crescimento na comparação com fevereiro de 2025 (+10,6%), mostrando uma maior procura por esses bens. Essa evolução tem influência do nível de preços desses produtos estar em maior desaceleração. Com cinco recessões nos últimos sete meses, a inflação dos bens duráveis acumulou uma evolução em 12 meses de 0,85%, abaixo do resultado apresentado em janeiro do ano passado (1,64%) e menor do que a taxa do indicador geral do IPCA (4,44%). Esse foi o nono mês com aumento no percentual de famílias que consideram um bom momento para a compra de duráveis, atingindo 35,9% o maior nível desde abril de 2015 (41,8%). Por outro lado, o percentual daquelas acreditam ser um mau momento (58,5%) continua sendo a maioria, mas vem diminuindo e atingiu o menor nível desde março de 2020 (56,5%).
Considerando todos os fatores de consumo analisados, a pesquisa indica que a Perspectiva de Consumo - ICF voltou a crescer em relação ao ano passado (+0,9%), após 12 meses em retração. Além disso, a perspectiva obteve crescimento de 1,2% frente a janeiro, comprovando a importância do crédito para o comércio.
De acordo com o levantamento, a intenção de consumir em fevereiro teve variações distintas entre as faixas de renda analisadas, principalmente na comparação anual. As famílias com renda acima de 10 salários mínimos mantiveram a tendência de queda (-0,7%), enquanto as famílias com renda até 10 salários mínimos superaram em 2,1% o nível de fevereiro de 2025.
Já em relação ao mês passado, a maior recuperação foi apresentada pelas famílias de maior renda, enquanto as com menos de 10 salários não perceberam alteração. Um dos fatores que ajuda a explicar essa diferença entre as comparações é justamente o mercado de trabalho. Enquanto o Emprego Atual - ICF apresentou a maior queda mensal (-0,9%) para as famílias consideradas mais pobres, o outro grupo obteve um aumento de 0,6%, sendo profissões que geralmente exigem conhecimentos técnicos específicos e, portanto, com menos concorrência de profissionais.
O estudo revela que a percepção do nível de preços também afetou o consumo entre as rendas, dado que as famílias com menor renda acabam sofrendo maior influência inflacionário. Tanto que o indicador Renda Atual - ICF teve queda mensal de 0,9% para este grupo, no entanto cresceu 0,7% para as famílias com mais de 10 salários. O Momento para Compra de Duráveis - ICF, por sua vez, avançou em ambos os grupos, contudo em intensidade diferente. Enquanto as famílias de menor renda obtiveram avanço anual de 13,6%, o indicador das com maior renda cresceu 1,3%, influenciando um aumento de 2,1% na Perspectiva de Consumo - ICF daquelas com menor renda, enquanto o outro grupo apresentou uma queda de 3,2%. Porém, esse indicador teve avanço mensal em ambas as faixas de renda.

Foto: Adobe Stock

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