Juros altos preocupam
Texto: Redação Revista Anamaco
Quatro em cada 10 empresários da indústria da construção apontaram as taxas de juros elevadas como o principal problema enfrentado pelo setor no 3º trimestre. A proporção aumentou 3,8 pontos percentuais em relação ao 2º trimestre e atingiu o segundo maior nível da série histórica iniciada em 2015.
Os dados constam na Sondagem Indústria da Construção, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção. (CBIC). “É um problema que ocupa a primeira posição do ranking há algum tempo e continua ganhando importância mesmo com as sucessivas reduções da taxa Selic pelo Banco Central. Apenas no segundo trimestre de 2023 o percentual de assinalação do problema foi maior”, aponta Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.
A alta carga tributária, assinalada por 31% dos empresários, manteve-se como a segunda maior preocupação da indústria da construção. No trimestre anterior, o entrave foi apontado por 33,6% dos entrevistados. Já a falta ou o alto custo da mão de obra não qualificada subiu da quarta para a terceira posição do ranking, passando de 28,6% para 29% das assinalações entre o 2º e o 3º trimestres.
De julho a setembro, as condições financeiras da indústria da construção continuaram negativas. O índice que mede a facilidade de acesso ao crédito caiu 1,4 ponto, passando de 39,3 para 37,9 pontos. Por ter se distanciado ainda mais da linha divisória de 50 pontos, o indicador revela maior dificuldade dos empresários para obter empréstimos e financiamentos.
No mesmo sentido, o índice de satisfação com o lucro operacional recuou um ponto, para 40,7 pontos. Com isso, a insatisfação dos empresários com a margem de lucro dos negócios caiu ao menor patamar desde o 1º trimestre de 2021.
Apesar disso, o índice de satisfação com a situação financeira se manteve em 45,2 pontos e permaneceu abaixo da linha divisória, o que sinaliza descontentamento dos empresários com as finanças dos negócios. Por outro lado, o indicador que mede a evolução do preço médio de insumos e matérias-primas diminuiu 0,6 ponto, de 66,2 para 65,5 pontos. O índice segue acima da linha de 50 pontos e revela percepção de encarecimento de insumos e matérias-primas.
Nesse cenário, mesmo após subir 2,2 pontos em relação a setembro, atingindo 41,9 pontos, o índice que mede a intenção de investimento do setor teve o pior mês de outubro desde 2020.
Para esta edição, a CNI consultou 305 empresas, sendo 120 pequenas, 125 médias e 60 grandes.
Foto: Adobe Stock




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