Pesquisa

Material de construção avança em julho

Texto: Redação Revista Anamaco

De acordo com a projeção econométrica do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo (Ibevar) e da FIA Business School, elaborada a partir de dados dessazonalizados da Pesquisa Mensal de Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o varejo brasileiro deve fechar julho com desempenho positivo na comparação anual, mas com sinais contraditórios entre os segmentos.
No varejo ampliado, que inclui veículos, motos e material de construção, a projeção aponta alta de 4,92% em julho frente ao mesmo mês de 2025, com crescimento de 0,95% em relação a junho. O acumulado do ano chega a 2,64%, e a variação de 12 meses alcança 1,71%, configurando trajetória consistente de recuperação nesse agregado mais abrangente.  
Já o varejo restrito apresenta quadro mais contido: a projeção indica alta de apenas 0,96% em julho na comparação anual, com retração de 0,22% na comparação mensal. O acumulado de 12 meses chega a 1,42%, refletindo uma expansão modesta que não cobre todos os segmentos de forma homogênea.  
O conjunto das projeções aponta para um varejo que cresce, mas com fôlego desigual. O motor do trimestre está nos bens de maior valor unitário: veículos projetam alta de 5,14% em julho frente ao mesmo mês do ano anterior; móveis e eletrodomésticos avançam 4,56%; e equipamentos e informática lideram com 7,66% de crescimento anual, sustentados pela demanda por tecnologia e renovação de hardware.  
No polo oposto, livros, jornais e revistas devem registrar queda de 9,35% em julho na comparação anual, aprofundando retração que se estende ao longo de 2026. Material de construção, apesar da alta anual de 2,30% em julho, permanece com acumulado de 12 meses negativo em 1,20%. Tecidos, vestuário e calçados também seguem com acumulado de 12 meses negativo (1,09%), refletindo a pressão sobre o consumo de vestuário em meio ao endividamento das famílias. 
Claudio Felisoni, presidente do Ibevar e professor da FIA Business School, observa que há uma economia que se expande pelos extremos - bens duráveis e veículos - enquanto o consumo cotidiano avança em ritmo mais lento. “As projeções sugerem que essa assimetria deve persistir ao longo do terceiro trimestre, com o varejo ampliado acelerando seu acumulado de 12 meses para 2,57% em setembro”, explica.

Foto: Adobe Stock

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