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Reportagem: Ariane Guerreiro/Grau 10 Editora

Dados da Abrafati mostram que o Brasil produziu, em 2025, 1,5 bilhão de litros de tintas imobiliárias, o que representa cerca de 75% do volume geral fabricado, com faturamento total do setor superior a R$ 40 bilhões anuais. Paralelamente, o número de lojas também vem crescendo. De acordo com o Instituto Anamaco, a CNAE do varejo de tintas e material para pintura representa 6,6% entre os CNAEs específicos do varejo de matcon, atingindo 10.596 lojas em 2025. Os números mostram um setor em ascensão, em que são naturais as movimentações de mercado, capazes ou não de alterar sua dinâmica ou abrir oportunidades para novas formas de fazer negócios.
Movimentos como a aquisição da Suvinil pela Sherwin-Williams visam à conquista de novas parcelas de mercado e mais força de negociação e embora seja cedo para determinar se ocorrerão mudanças no setor de tintas e quais seriam, pode-se questionar qual o futuro do setor diante do novo comportamento dos consumidores que buscam mais qualidade e melhor atendimento, exigindo maior integração entre fabricantes e comerciantes

Dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati) revelam que o Brasil produziu, em 2025, 1,5 bilhão de litros de tintas imobiliárias, o que representa cerca de 75% do volume geral fabricado, com faturamento total do setor superior a R$ 40 bilhões anuais.  Esse desempenho posiciona o País como o quarto maior produtor de tintas do mundo. Ainda segundo a entidade, nos últimos cinco anos, as vendas de tintas imobiliárias aumentaram 10%, com perspectivas positivas diante de um déficit habitacional em torno de seis milhões de moradias.

Paralelamente, o número de lojas do setor vem, igualmente, crescendo. De acordo com o Instituto Anamaco, a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) de comércio varejista de tintas e material para pintura representa 6,6% entre os CNAEs específicos do varejo de material de construção, atingindo 10.596 lojas em 2025, com crescimento de 3,21% em relação a 2024.

Os números mostram um setor em ascensão, em que são naturais as movimentações de mercado, capazes ou não de alterar sua dinâmica ou abrir oportunidades para novas formas de fazer negócios.

Movimentos como a aquisição da Suvinil pela Sherwin-Williams visam à conquista de novas parcelas de mercado e mais força de negociação e embora seja cedo para determinar se ocorrerão mudanças no setor de tintas e quais seriam, pode-se questionar qual o futuro do setor diante do novo comportamento dos consumidores que buscam mais qualidade e melhor atendimento, exigindo maior integração entre fabricantes e comerciantes, em um setor que também vivencia a profissionalização do varejo, seja no modelo de comércio multimarcas ou de exclusividade de fornecedores.

Patricia Abreu, arquiteta e professora do Curso de Arquitetura e Urbanismo do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec-BH), avalia que a união de grandes marcas pode representar aspectos importantes. “Empresas em expansão tendem a investir em novas tecnologias, qualidade e produtos. Por outro lado, a redução do número de fornecedores pode fortalecer o poder de negociação da indústria e diminuir a concorrência, com possível aumento dos preços”, analisa. Além disso, na sua visão, quanto mais fabricantes, maior a possibilidade de encontrar soluções adequadas a diferentes projetos.

Roberto Falcão, doutor e professor de Marketing, CX e Gestão de Varejo da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), acrescenta que a consolidação que, inicialmente, parece apenas uma mudança de participação de mercado, pode alterar o equilíbrio de forças entre indústria e varejo e influenciar a forma como o consumidor vivencia a compra.

É certo que as grandes empresas contam com maior capacidade de investimento em diferentes áreas e melhor apoio a revendedores, mas não é só isso. “A concentração pode reduzir a capacidade de negociação do varejo, especialmente dos pequenos e médios lojistas, uma vez que o fornecedor passa a deter um portfólio mais robusto e marcas de elevada preferência do consumidor”, afirma Falcão. A competição também envolve o controle da experiência de compra do consumidor antes mesmo de o cliente entrar na loja.

Esse cenário aumenta a necessidade de observar com atenção os fatores que abrangem o negócio. “A consolidação industrial eleva o nível de exigência competitiva. Para a indústria, o desafio será demonstrar que o ganho de escala se traduz em mais inovação e melhores soluções para o mercado. O varejo precisará, cada vez mais, construir diferenciais que não possam ser substituídos por um fabricante. Em um mercado de produtos tecnicamente semelhantes, a vantagem competitiva migra para a qualidade da experiência oferecida ao cliente”, ressalta o professor.

Flexibilidade ou exclusividade

De acordo com Falcão, à medida que um setor amadurece, com produtos tecnicamente semelhantes, o canal de distribuição ganha importância estratégica, sejam modelos exclusivos ou multimarcas. Enquanto a indústria busca vantagem competitiva, com maior presença no ponto de venda, com ações específicas ou acordos comerciais, o varejista procura preservar sua autonomia e sua capacidade de oferecer alternativas ao consumidor, ambos disputando a influência sobre a decisão de compra.

A opção por um ou outro modelo dependerá da estratégia de cada empresa. Uma loja exclusiva leva à padronização da experiência, aprofundamento técnico das equipes e maior controle sobre a apresentação da marca, enquanto a multimarcas favorece a comparação, a competição entre fornecedores e o papel consultivo do varejista. “Em mercados concentrados, a diferenciação se dá menos em produtos e mais em serviços, suporte técnico, inovação e relacionamento”, afirma Falcão.

Os modelos de exclusividade e multimarcas são vistos como dois lados de um mercado em expansão, na opinião de Patricia. “De um lado, estão os consumidores que buscam preços e produtos competitivos. Em outro, profissionais especificadores e marcas que procuram controlar melhor a experiência de venda, com exclusividade e diferenciação. Existe espaço no mercado para os dois perfis”, comenta.

Danilo Gil, diretor de Compras da Todimo, frisa que a aquisição da Suvinil pela Sherwin-Williams, por exemplo, é bastante relevante e deverá afetar toda a cadeia de distribuição, tanto no desenvolvimento de produtos, como nas parcerias já estabelecidas. “A categoria pintura faz parte do nosso segmento de acabamentos em geral, o principal faturamento da empresa. Focamos em exposição, mix de produtos e atendimento diferenciado, pois existe recorrência de compra por repintura e revitalização do imóvel“, completa.

Continua ...

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