Desempenho do comércio

O varejo brasileiro perdeu R$ 36 bilhões em 2024, revela estudo

Texto: Redação Revista Anamaco

As perdas no varejo brasileiro ultrapassaram a marca de R$ 36 bilhões em 2024, segundo a Pesquisa Abrappe de Perdas no Varejo Brasileiro 2025, realizada pela Associação Brasileira de Prevenção de Perdas (Abrappe) em parceria com a auditoria e consultoria KPMG. De acordo com o levantamento, 70% dos prejuízos estão relacionados a falhas em inventários e quebras operacionais.
Especialistas da Infox Varejo Avançado explicam que, no segmento de material de construção, os desafios vão além de danos financeiros. “É importante destacar que hoje, além de controlar perdas e custos, os lojistas também têm o desafio de encontrar formas de gerar novas receitas e fidelizar clientes, em um mercado que está cada vez mais competitivo”, afirma Luís Augusto Barbieri, diretor Comercial da empresa.
O executivo salienta que os desafios do varejo incluem fatores como falta de gestão estratégica, mesmo com o apoio de sistemas. Barbieri acrescenta que muitos lojistas já utilizam sistemas integrados, mas ainda enfrentam dificuldades para transformar dados em decisões estratégicas. Na prática, isso resulta em problemas como baixa visibilidade sobre lucro e margem, obstáculos para identificar produtos mais rentáveis e decisões tomadas sem indicadores confiáveis. “Em muitos casos, o sistema é utilizado apenas para emissão de notas fiscais, controle básico de estoque e registros financeiros. Hoje, apenas ter uma tecnologia não basta. É necessário contar com inteligência de negócio e indicadores claros para apoiar a tomada de decisão”, afirma o diretor.
As mudanças previstas pela Reforma Tributária também estão entre as principais preocupações do setor. André Maniezo, CEO da empresa, conta que, entre os temas mais frequentes nas conversas com os lojistas estão os impactos da medida nas margens de lucro, modificações na emissão de notas fiscais, adaptação de sistemas e alterações na formação de preços. “O maior desafio é a falta de clareza sobre os impactos operacionais durante o período de transição. Os lojistas precisam de mais visibilidade sobre suas operações para simular cenários e tomar decisões com maior segurança”, explica.
O CEO cita, ainda, o controle de estoque como um dos maiores desafios do varejo de material de construção, principalmente pelo impacto direto no capital de giro, nas vendas e na experiência do cliente. Entre os problemas mais comuns estão o excesso de produtos parados, a falta de itens estratégicos, compras sem planejamento e a baixa visibilidade sobre giro e rentabilidade. “Uma gestão eficiente de estoque exige análise de giro dos produtos, controle de sazonalidade, equilíbrio entre variedade e rentabilidade e automação dos processos de compra. Quando bem administrado, o estoque deixa de ser um problema e se torna uma vantagem competitiva”, completa Barbieri.
Maniezo reforça que a presença digital deixou de ser opcional para o varejo, mas muitos revendedores ainda encontram dificuldades para estruturar ou ampliar as vendas on-line. Segundo ele, os principais obstáculos estão relacionados à integração entre lojas física e virtual, controle de estoque em tempo real, logística de entrega e organização de catálogo e preços. “O e-commerce precisa funcionar como uma extensão da loja física, sem comprometer a operação. Além disso, a experiência de compra online é fundamental para fortalecer a reputação da marca”, destaca.
Barbieri aponta, entre os desafios mais estratégicos do setor, a necessidade de aumentar as vendas sem perder a competitividade. Na sua avaliação, uma das alternativas para impulsionar os resultados é a oferta de crediário próprio. “O crediário pode ampliar o poder de compra do cliente, elevar o ticket médio, aumentar a recorrência e fortalecer o relacionamento com o consumidor. Além disso, quando bem estruturado, contribui para melhorar a rentabilidade e o controle da política de crédito”, conclui o diretor.

Foto: Adobe Stock

O varejo brasileiro perdeu R$ 36 bilhões em 2024, revela estudo
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