Otimismo em queda
Texto: Redação Revista Anamaco
O otimismo do varejista brasileiro está no menor patamar do ano e em tendência de queda (considerando o ajuste sazonal), de acordo com o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado, mensalmente, pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
O campo que reúne a maior insatisfação é o da avaliação das Condições Atuais, com redução de 2,5% em relação ao mês anterior, seguido pela queda da Intenção de fazer Investimentos (-0,3%), subíndices que levaram o indicador aos 101,3 pontos após o ajuste sazonal - ainda em patamar considerado otimista, porém 0,6% menor do que em julho.
O estudo mostra que o único subíndice positivo é o da Expectativa Futura, que destoa com otimistas 128,2 pontos, com aumento da confiança na Economia (1,1%) e no próprio Setor de atuação (0,3%) na comparação com o mês anterior. O otimismo no futuro, contrastando com a insatisfação do presente, levou o comerciante a projetar mais investimentos em contratações (0,6%) e nos estoques (0,1%), apesar de uma queda entre os que afirmam que vão investir em demais estruturas da empresa (-1,8%), em relação a julho
José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, avalia a complexidade do momento que o setor atravessa, confiante na continuação da redução da taxa de juros, que poderá proporcionar uma sinergia mais promissora entre as áreas da economia. “A cada mês, os números mostram o que também ouvimos em eventos por todo o Brasil: há expectativa e há força de vontade para trabalhar mais e melhor; porém, os custos elevados impedem que o empresário aumente os investimentos”, comenta Tadros.
Os cenários externo e interno de relativa volatilidade refletem em queda da confiança dos empresários que vendem os bens chamados de “semiduráveis”. O subindicador de Condições Atuais registrou queda mensal nos três setores, a maior delas entre os mais caros: Roupas, calçados, tecidos e acessórios: -0,4%; Supermercados, farmácias e lojas de cosméticos: -3,5% e Eletrônicos, eletrodomésticos, móveis e decoração, cine/foto/som, material de construção e veículos: -4,6%.
Na direção contrária, os bens não duráveis registram aumento da expectativa (0,3%, chegando aos 129 pontos) e da disposição para investimentos (0,6%, chegando aos 118,8 pontos), reforçando o comportamento de consumo de menor valor e a esperança de vendas melhores no médio prazo.
Catarina Carneiro, economista da CNC, acrescenta que a conjuntura econômica é ponto de atenção, considerando os próximos meses de campanha eleitoral no Brasil, influências externas ainda decorrentes da guerra dos EUA contra o Irã e a aproximação das eleições americanas. “Mesmo que a taxa Selic mantenha sua queda responsavelmente, alguns meses são necessários para que essa futura redução chegue até o preço praticado pelo varejo e, consequente, cause alívio no bolso do cidadão. Só então, vencendo as instabilidades, teremos um arrefecimento nos níveis de comprometimento da renda tanto por parte dos empresários quanto dos consumidores”, avalia.
Foto: Adobe Stock




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