Sondagem de Mercado de Trabalho

Percepção dos brasileiros sobre a renda

Texto: Redação Revista Anamaco

A décima primeira edição dos Indicadores de Qualidade do Trabalho da Sondagem de Mercado de Trabalho, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), aborda o tema da percepção sobre a renda nos últimos três meses.
Nesse tema, os entrevistados são consultados a dar sua percepção sobre como tem evoluído sua renda, se ela é suficiente para pagar as contas essenciais e depois apontam quais são as três maiores despesas nesse período.
O resultado, com dados do trimestre finalizado em abril, mostra que a maior parte dos respondentes (70,8%) afirma que conseguiram pagar suas contas essenciais nos últimos três meses com a renda auferida no período de referência. Esse resultado é a segunda queda consecutiva, depois de três altas seguidas. De acordo com a entidade, como as séries ainda são curtas e não possuem ajuste por sazonalidade, comparações na margem demandam cautela.
Em seguida, foram convidados a apontar quais foram as três maiores despesas que mais impactaram no orçamento da família. A alimentação foi o item mais citado como um dos que mais pesam, com 72,2%. Em seguida, duas opções registram quase um empate técnico: aluguel ou financiamento com moradia (46,5%) e contas de serviços públicos (44,9%), que considera água, eletricidade e outras.
Rodolpho Tobler, economista do FGV Ibre, observa que os resultados positivos do mercado de trabalho nos últimos meses, resultaram no crescimento da renda dos trabalhadores. “A grande maioria da pesquisa diz que vem conseguindo pagar suas contas essenciais, mas por outro lado, a segunda queda consecutiva pode estar dando sinais de um encerramento na tendência de alta observada até então”, pontua.
Segundo ele, a expectativa de uma desaceleração do mercado de trabalho ao longo de 2026 deve também chegar nos dados de renda, indicando um ano mais morno, com um ritmo mais lento da evolução dos salários. “Também vai ser relevante acompanhar a evolução da inflação ao longo do ano, especialmente com os desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio e da alta do preço do petróleo, que podem impactar na percepção da renda por parte dos trabalhadores”, afirma.

Foto: Adobe Stock

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