Pesquisa vai apresentar, periodicamente, os dados do setor de saneamento
Texto: Redação Revista Anamaco
A Associação Brasileira dos Fabricantes de Materiais para Saneamento (Asfamas) acaba de lançar uma publicação periódica que reforça seu posicionamento como fonte de referência para informações econômicas, industriais e estruturais relacionadas ao saneamento brasileiro.
Batizado de Radar Asfamas da Indústria do Saneamento, o estudo, uma nova frente de atuação voltada à produção e disseminação de inteligência setorial, será divulgado à imprensa entre três e quatro vezes por ano, contribuindo para ampliar a visibilidade de um tema cada vez mais estratégico para a agenda ESG, o desenvolvimento urbano e a sustentabilidade no País.
Em parceria com a Ex-Ante Consultoria Econômica, a entidade passa a divulgar o estudo, que deverá reunir dados inéditos sobre investimentos em infraestrutura, desempenho da indústria de materiais, construção civil e geração de empregos ligados ao setor. “A iniciativa busca ampliar a transparência, qualificar o debate público e oferecer uma leitura mais atualizada da cadeia do saneamento no Brasil”, explica Edson Silveira Sobrinho, diretor de Relações Institucionais e Governamentais da Asfamas.
Segundo ele, além dos indicadores tradicionais já acompanhados pelo mercado, o levantamento propõe uma nova leitura sobre a construção civil pela ótica da indústria do saneamento. O diretor salienta que, atualmente, as estatísticas mais difundidas do setor costumam se concentrar em lançamentos imobiliários, vendas, estoques, preços de imóveis, unidades financiadas, volume de crédito e dados do PIB da construção. “A proposta amplia essa análise ao incorporar o valor das obras e dos insumos ligados à infraestrutura hidráulica e sanitária das edificações, oferecendo uma visão mais abrangente sobre a dinâmica econômica do setor”, acrescenta.
Entre os destaques da primeira divulgação está o volume de investimentos em infraestrutura de saneamento em 2025, com dados oficiais referentes a 2024. O levantamento utiliza bases do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Caixa Econômica Federal (CEF) para fazer suas projeções, gerando uma leitura mais atual da atividade econômica do setor. “Os dados oficiais são publicados com defasagem temporal de cerca de um ano, necessária para que o Governo Federal colete, processe e divulgue as informações enviadas por todos os prestadores de serviço do País. Com a metodologia trazida pela pesquisa, esses números passam a ser divulgados como projeções com defasagem de poucos meses”, observa Silveira Sobrinho.
De acordo com o Radar, no ano passado, o volume estimado de investimentos em infraestrutura de saneamento foi de R$ 33,3 bilhões, o que representa um expressivo crescimento real de 11% em relação a 2024.
O avanço, segundo o diretor, demonstra o fortalecimento progressivo dos investimentos em infraestrutura sanitária, tema central para a agenda de sustentabilidade urbana, saúde pública e preservação ambiental. Ainda assim, ele alerta que o País precisará manter investimentos acima de R$ 50 bilhões anuais para atender às metas de universalização do saneamento previstas para os próximos anos. “O saneamento precisa ser compreendido como uma agenda estratégica para o desenvolvimento sustentável do País. Quando ampliamos os investimentos em infraestrutura sanitária, estamos impactando, diretamente, a saúde pública, a preservação ambiental, a eficiência das cidades e a qualidade de vida da população. Com esse novo sistema de indicadores, a Asfamas passa a contribuir de forma ainda mais ativa para a construção de análises e decisões baseadas em dados”, afirma o executivo.
Outro dado apurado pelo estudo revela que o faturamento da indústria de material para saneamento alcançou R$ 27,6 bilhões em 2025, um crescimento nominal de 0,8% em relação ao ano anterior. O levantamento considera segmentos como tubos e conexões, torneiras e válvulas, vasos sanitários, reservatórios, pisos e outros componentes fundamentais para a infraestrutura hidráulica das cidades e edificações. “O crescimento menor do que a inflação aponta para uma preocupante redução real do ritmo da demanda no último ano”, observa.
A pesquisa também aponta que a indústria de material de saneamento empregou 59,1 mil pessoas em 2025, crescimento de 3,7% em relação ao ano anterior, reforçando a relevância econômica e industrial do setor para o Brasil.
Além do recorte específico do saneamento, o relatório apresenta uma nova ótica sobre a construção civil, mostrando o valor das obras no Brasil. Em 2025, as edificações residenciais movimentaram R$ 194,1 bilhões, enquanto as não residenciais atingiram R$ 291 bilhões, ambos com crescimento de 2,9%.
Foto: Adobe Stock




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