Preço das matérias-primas dispara
Texto: Redação Revista Anamaco
A alta do petróleo e de outros insumos por conta da guerra no Oriente Médio levou o índice de evolução do preço médio das matérias-primas a disparar. É o que aponta a Sondagem Industrial, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O indicador saltou 10,8 pontos entre o 4º trimestre de 2025 e o 1º trimestre de 2026, passando de 55,3 pontos para 66,1 pontos. O índice não ficava tão alto desde o segundo trimestre de 2022, quando o fluxo de comércio global ainda se recuperava dos efeitos da pandemia de Covid-19.
A pesquisa indica, ainda, que os industriais demonstraram insatisfação com as condições financeiras das empresas, cujo índice caiu de 50,1 pontos no 4º trimestre de 2025 para 47,2 pontos no 1º trimestre de 2026.
Já o índice de satisfação com o lucro operacional recuou 2,6 pontos, para 41,9 pontos. Com isso, o indicador atingiu seu menor valor desde o 2º trimestre de 2020, quando registrou 37 pontos. À época, a indústria sofria os efeitos da pandemia.
O índice de acesso ao crédito, por sua vez, cedeu 1,9 ponto, passando de 40,9 pontos, no 4º trimestre de 2025, para 39 pontos, no 1º trimestre de 2026, pior marca em três anos. O indicador permanece muito abaixo da linha de 50 pontos, revelando grande dificuldade de acesso ao crédito pelas empresas.
O estudo mostra que a elevada carga tributária continua liderando o ranking dos principais problemas enfrentados pela indústria. No 1º trimestre de 2026, o entrave foi apontado por 34,8% dos empresários, queda de 6,3 pontos percentuais em relação ao 4º trimestre do ano passado.
Já a falta ou alto custo da matéria-prima passou da sexta para a segunda posição do ranking. Essa preocupação foi citada por 30,8% dos industriais, ante 17,3% na pesquisa anterior. “A maior preocupação dos empresários com a falta ou alto custo das matérias-primas reflete o que vem acontecendo no conflito no Oriente Médio, que vem aumentando os custos com petróleo e outros insumos importantes. Isso e os juros altos estão afetando o fôlego financeiro das empresas”, avalia Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.
Ultrapassado pela preocupação com matérias-primas, os juros altos caíram da segunda para a terceira posição entre os principais entraves. O percentual de assinalação variou pouco: antes, o problema era assinalado por 28% dos empresários e agora é lembrado por 27,2%.
A Sondagem ouviu 1.406 empresas: 588 pequenas, 477 médias e 341 grandes.
Foto: Adobe Stock




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