Índice Abramat

Redução na perspectiva de crescimento

Texto: Redação Revista Anamaco

De acordo com dados do Índice Abramat, estudo mensal que acompanha o desempenho do faturamento deflacionado da indústria de material de construção, com base em dados oficiais, pesquisas com associados e metodologia desenvolvida pela Ecconit, a indústria do setor encerrou o primeiro semestre com retração de 3,4% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado, abaixo das expectativas da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), levou a entidade a revisar a projeção de crescimento do setor neste ano, reduzindo a estimativa de 1,9% para 0,5%.
Em junho, na comparação com maio, considerando os dados dessazonalizados, o faturamento avançou 1,9%. Em relação ao mesmo mês de 2025, o resultado permaneceu estável, indicando que a atividade começa a recuperar parte das perdas registradas ao longo dos primeiros meses do ano.
De acordo com o estudo, o avanço mensal foi impulsionado, principalmente, pelo material básico, que cresceu 2,4% em relação a maio, com ajuste sazonal. O material de acabamento também apresentou desempenho positivo, com alta de 1,5%. Na comparação anual, porém, os segmentos seguem em ritmos distintos: o material básico registrou crescimento de 1,4%, enquanto o de acabamento recuou 2,1%.
Os indicadores acumulados mostram que a recuperação da indústria ainda ocorre de forma gradual. No acumulado de 12 meses, o faturamento deflacionado do setor registra retração de 3,8%, refletindo um ritmo de crescimento abaixo do esperado para a primeira metade do ano.
Na avaliação de Mauro Franco, presidente executivo da Abramat, o resultado de junho mostra que a indústria preserva sua capacidade de reação, mas ainda enfrenta um ambiente econômico que limita uma recuperação mais consistente. "O avanço registrado em junho mostra que a indústria continua reagindo, especialmente nos segmentos ligados ao material básico, que costumam acompanhar mais de perto o ritmo da construção. No entanto, o desempenho do primeiro semestre ficou abaixo das nossas expectativas e exigiu uma revisão das projeções para 2026”, reforça.
Segundo ele, a revisão da estimativa reflete, sobretudo, o ambiente macroeconômico, marcado pela manutenção da taxa de juros em patamar elevado, pelo alto nível de endividamento das famílias e pela performance abaixo do esperado do Programa Reforma Casa Brasil, fatores que continuam influenciando o desempenho da indústria ao longo de 2026. "A revisão da projeção representa um ajuste às condições observadas no primeiro semestre. Seguimos convivendo com um ambiente macroeconômico desafiador, marcado pela taxa de juros elevada e pelas incertezas geopolíticas, que continuam influenciando o ritmo de recuperação do setor. Nossa expectativa é de continuidade desse processo ao longo do segundo semestre, ainda que em intensidade menor do que projetávamos anteriormente", finaliza.

Foto: Adobe Stock

Redução na perspectiva de crescimento
Compartilhe esse post:

Comentários