Tarifaço

Reflexos na economia brasileira

Texto: Redação Revista Anamaco

O Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo (Ibevar-Fia) Business School acaba de divulgar um estudo que estima os impactos econômicos das tarifas anunciadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros.
De acordo com o levantamento, o Brasil enfrenta o risco de perder entre R$ 15 bilhões e R$ 38 bilhões em consumo das famílias como consequência das tarifas anunciadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). A combinação das sobretaxas de 25% - associada a divergências bilaterais envolvendo o Pix, o Judiciário e políticas ambientais - e de 12,5% adicional, motivada por falhas no combate ao trabalho forçado, coloca sob pressão cerca de US$ 9,5 bilhões em exportações industriais brasileiras e pode comprometer de forma significativa a atividade econômica em 2026. 
Claudio Felisoni de Angelo, presidente do Ibevar e professor da Fia Business School, alerta que as estimativas de mercado apontam que o impacto das medidas sobre o Produto Interno Bruto (PIB) deve variar entre 0,3 e 0,6 ponto percentual em 2026. “No cenário mais pessimista, o recuo equivale a R$ 76 bilhões em atividade econômica ao longo do ano. As projeções de crescimento para 2026, que antes oscilavam entre 1,2% e 1,7%, foram revisadas para baixo de forma generalizada pelo mercado após o anúncio das tarifas”, pontua o executivo.
De acordo com ele, o consumo das famílias, que totalizou R$ 8,1 trilhões em 2025, representando 64% do PIB, deve absorver entre 40% e 50% do choque, padrão histórico observado em episódios anteriores de choques externos sobre a economia brasileira. “No cenário central, o impacto estimado sobre o consumo alcança aproximadamente R$ 22,5 bilhões, dos quais R$ 7 bilhões recairão sobre o varejo restrito e R$ 10,5 bilhões sobre o varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção”, explica.
O presidente do Ibevar frisa que o impacto se transmite pela economia por múltiplos canais: retração nas cadeias produtivas exportadoras, com efeito cascata sobre fornecedores de pequeno e médio porte; pressão cambial que encarece máquinas e insumos importados; e inflação setorial concentrada em alimentos industrializados, bebidas, materiais de construção e transporte - categorias que afetam desproporcionalmente famílias de renda média e baixa. 
Nesse cenário, os setores mais vulneráveis incluem a indústria de máquinas pesadas, etanol, transformadores elétricos, madeira e granito trabalhado. Segundo ele, no agronegócio, a carne bovina pode registrar retração de até 20% nas exportações para os Estados Unidos. A indústria aeronáutica figura entre as mais expostas, com relevante dependência do mercado norte-americano. A siderurgia, já pressionada pela desaceleração da economia global, acumula queda em receita de exportações de aço desde o início das tensões comerciais. 
O professor lembra que as medidas ainda não estão em vigor e que o período de consulta pública se estende até 6 de julho de 2026, com audiências marcadas para o dia 7 do mesmo mês. A decisão final cabe ao presidente Donald Trump, com prazo até 15 de julho. “O governo brasileiro, que classificou o processo como ingerência em assuntos internos, sinalizou resposta proporcional caso as tarifas sejam confirmadas - risco avaliado pelo mercado como capaz de ampliar o impacto inflacionário. O tarifaço não é apenas uma ação diplomática entre Brasília e Washington. É uma ameaça concreta ao bolso do brasileiro, ou seja, termina nas gôndolas dos supermercados”, finaliza.

Foto: Adobe Stock

Reflexos na economia brasileira
Compartilhe esse post:

Comentários