Pesquisa

Reincidência atingiu 85,32% dos consumidores inadimplentes em junho

Texto: Redação Revista Anamaco

Em junho, o Indicador de Reincidência de Pessoas Físicas, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), revelou que, do total de negativações, 85,32% foram de devedores reincidentes. O dado refere-se a consumidores que já haviam aparecido no cadastro de inadimplentes nos últimos 12 meses.
Dentro desse universo, a maior parte (66,01%) ainda não havia quitado pendências antigas e foi negativada novamente. Outros 19,31% haviam saído do cadastro de devedores nos últimos 12 meses, mas retornaram. Apenas 14,68% dos negativados no mês não tiveram restrições no CPF ao longo do último ano.
O estudo revela que o tempo médio decorrido entre o vencimento de uma dívida e o vencimento de demais pendências para os reincidentes foi de 73 dias. Isso significa que, em média, após cerca de 2,4 meses do vencimento de uma dívida negativada, outra já vence.
Os dados do indicador mostram, ainda, que, nos últimos 12 meses encerrados em junho, houve crescimento de 14,99% no número de devedores reincidentes na comparação com os 12 meses anteriores.
José César da Costa, presidente da CNDL, observa que o indicador de reincidência escancara que a inadimplência no Brasil deixou de ser um imprevisto financeiro momentâneo para se tornar uma armadilha estrutural. “A esmagadora maioria das pessoas que entra na lista de negativados já enfrentava restrições anteriores. Isso mostra que os acordos de renegociação frequentemente sufocam o orçamento das famílias, que são forçadas a escolher entre honrar o parcelamento da dívida ou arcar com os custos básicos do dia a dia, gerando um ciclo vicioso de endividamento”, frisa o executivo.
Na análise do perfil dos devedores reincidentes, a faixa etária de 30 a 39 anos continuou sendo a mais representativa, com 25,35% do total. Quanto à participação por sexo, a distribuição se manteve equilibrada: 53,89% mulheres e 46,11% homens.
Já os dados do Indicador de Recuperação de Crédito de Pessoas Físicas, do SPC Brasil, mostram que, nos 12 meses encerrados em junho, houve crescimento de 3,78% no número de consumidores que conseguiram sair das listas de negativados. A comparação é com os 12 meses anteriores. Essa alta se concentrou no aumento da recuperação de consumidores que levaram de três a quatro anos (36,29%) para efetuarem o pagamento de todas suas dívidas.
Na abertura por faixa etária dos consumidores que quitaram suas dívidas, o número de consumidores recuperados com participação mais expressiva no Brasil, em junho, foi da faixa de 50 a 64 anos (23,98%). A participação dos consumidores recuperados por sexo também seguiu bem distribuída, sendo 50,97% mulheres e 49,03% homens.
No mês, cada consumidor recuperado pagou, em média, R$ 2.510,98 na soma de todas as dívidas que tinha. Os dados ainda mostram que 59,19% pagaram até R$ 500 em dívidas.
Na análise de Roque Pellizzaro Júnior, presidente do SPC Brasil, a reincidência tem impacto devastador no poder de compra e no dinamismo econômico. “A maioria dos consumidores não consegue se manter fora dos cadastros de inadimplentes por muito tempo e a frequência rápida com que novas dívidas vencem trava a concessão de crédito e retira as famílias do mercado do consumo. É um cenário que reflete a extrema vulnerabilidade financeira da população, onde até mesmo débitos de valores muito baixos são suficientes para reter o orçamento familiar por longos períodos”, finaliza.

Foto: Adobe Stock

Reincidência atingiu 85,32% dos consumidores inadimplentes em junho
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