Reincidência preocupa
Texto: Redação Revista Anamaco
O Indicador de Reincidência de Pessoas Físicas, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), revela que, em maio, do total de negativações, 85,41% foram de devedores reincidentes. O dado refere-se a consumidores que já haviam aparecido no cadastro de inadimplentes nos últimos 12 meses.
Dentro desse universo, a maior parte (65,92%) ainda não havia quitado pendências antigas e foi negativada novamente. Outros 19,49% haviam saído do cadastro de devedores nos últimos 12 meses, mas retornaram. Apenas 14,59% dos negativados no mês não tiveram restrições no CPF ao longo do último ano.
O estudo mostra, ainda, que o tempo médio decorrido entre o vencimento de uma dívida e o vencimento de demais pendências para os reincidentes foi de 72,6 dias. Isso significa que, em média, após cerca de 2,4 meses do vencimento de uma dívida negativada, outra dívida já vence.
Os dados do indicador indicam que, nos últimos 12 meses encerrados em maio, houve um crescimento de 15,19% no número de devedores reincidentes na comparação com os 12 meses anteriores.
A análise do perfil dos devedores reincidentes em maio aponta que a faixa etária de 30 a 39 anos continua sendo a mais representativa, com 25,46% do total. Quanto à participação por sexo, a distribuição se mantém equilibrada: 53,33% mulheres e 46,67% homens.
José César da Costa, presidente da CNDL, explica que a alta reincidência reflete um cenário econômico ainda severo para o orçamento das famílias. “A manutenção de taxas de juros elevadas no País encarece, diretamente, o custo do crédito e das dívidas atrasadas, criando um efeito bola de neve que neutraliza os esforços de quitação do consumidor”, pontua.
Costa acrescenta que, mesmo aqueles que conseguem limpar o nome encontram extrema dificuldade para se manter fora da inadimplência, pois o custo de vida pressionado e a falta de margem financeira empurram o cidadão de volta ao superendividamento. “O mercado enfrenta um ciclo em que o crédito não apenas fica mais escasso, mas também mais difícil de ser honrado no curto prazo", destaca o executivo.
Paralelamente, o Indicador de Recuperação de Crédito de Pessoas Físicas, que acompanha os consumidores que conseguiram sair dos cadastros de inadimplentes, registrou queda. Nos 12 meses encerrados em maio, houve redução de 0,33% no número de pessoas que limparam o nome, em comparação com o período anterior.
A queda do indicador acumulado em 12 meses se concentrou na diminuição da recuperação de consumidores que levaram de quatro a cinco anos (-10,50%) para efetuarem o pagamento de todas suas dívidas.
Na abertura por faixa etária dos consumidores que quitaram suas dívidas, o número de consumidores recuperados com participação mais expressiva no Brasil em maio foi da faixa de 50 a 64 anos (22,30%). A participação dos consumidores recuperados por sexo segue bem distribuída, sendo 51,46% mulheres e 48,54% homens.
No mês, cada consumidor recuperado pagou, em média, R$ 2.339,86 na soma de todas as dívidas que tinha. Os dados ainda mostram que 61,57% pagaram até R$ 500 nas dívidas que possuíam.
Roque Pellizzaro Júnior, presidente do SPC Brasil, pontua que o perfil atual da inadimplência mostra que o grande desafio não tem sido apenas a saída do cadastro de devedores, mas a sustentabilidade dessa recuperação financeira.
Na sua análise, a conjuntura macroeconômica de juros restritivos sufoca a renda disponível e corrói a capacidade de pagamento da população. “Essa dinâmica mercadológica acaba gerando um ciclo vicioso de reincidência, no qual o consumidor, sem fôlego financeiro diante de despesas básicas e compromissos passados acumulados, volta a negativar o CPF em um curto espaço de tempo. Para o comércio e o setor de serviços, isso sinaliza a urgência de uma melhora nas condições macroeconômicas que devolva o poder de compra real e a estabilidade ao cidadão”, alerta Pellizzaro Júnior.
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