Sustentabilidade

Resíduo urbano é fonte de energia para a indústria do cimento no Brasil

Texto: Redação Revista Anamaco

Hoje, dia 27 de agosto, é celebrado o Dia Mundial da Limpeza Urbana. A data reforça a conscientização da sociedade para o descarte correto do lixo. No Brasil, cerca de 80 milhões de toneladas de resíduos sólidos são gerados, anualmente, mas apenas 4% desse total é reciclado. Nesse cenário, a indústria brasileira do cimento contribui para reduzir o volume depositado nos aterros sanitários e os impactos causados ao meio ambiente com o uso da tecnologia do coprocessamento
No Paraná, a recém renovada parceria entre a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e o Consórcio Intermunicipal para Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos (Conresol), da região metropolitana de Curitiba, prevê o tratamento de resíduos urbanos não recicláveis para sua utilização como fonte energética no processo de fabricação de cimento.
A iniciativa também contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa no setor cimenteiro. Como parte do acordo, foi iniciada a produção e o uso do Combustível Derivado de Resíduos Urbanos (CDRU) nas cimenteiras da região. 
O Conresol é responsável pela implementação do projeto em sua região de atuação, composta por 24 municípios. Com investimentos privados que podem chegar a R$ 400 milhões na fase mais avançada, o projeto prevê a adequação das fábricas de cimento e a construção de unidades de preparo do CDRU. Além disso, a iniciativa tem potencial para gerar até 300 novos postos de trabalho, contribuindo para o desenvolvimento econômico local.
As três fábricas de cimento instaladas na região possuem capacidade para consumir, anualmente, cerca de 200 mil a 300 mil toneladas de CDRU, que representa uma oportunidade para o setor cimenteiro e para a sociedade como um todo. Trata-se de um substituto energético do coque de petróleo, utilizado como combustível para a fabricação de cimento, que traz inúmeros benefícios ambientais e sociais.
Com a substituição do coque de petróleo pelo CDRU, é possível reduzir as emissões de carbono e do metano, nos aterros sanitários, contribuindo para a mitigação dos impactos das mudanças climáticas. Além disso, o coprocessamento de novas fontes energéticas e renováveis nas fábricas de cimento ajuda a diminuir a quantidade de resíduos dispostos em aterros sanitários, evitando passivos ambientais e problemas de saúde pública.
O setor cimenteiro também contribui para o aumento da vida útil dos aterros sanitários e industriais, impulsiona os índices de reciclagem e pode colaborar na recuperação de áreas degradadas. A substituição de combustíveis fósseis por resíduos adequadamente preparados é uma solução técnica e ambientalmente viável. Nesse contexto, o acordo firmado entre ABCP e Conresol fortalece o debate sobre soluções sustentáveis e promove a mobilização de investimentos ao longo de toda a cadeia, gerando benefícios concretos para o meio ambiente e para a sociedade.

Foto: Adobe Stock

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