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Tracking das Favelas revela as marcas de matcon mais lembradas nas comunidades

Texto: Redação Revista Anamaco

Tigre, Coral, Suvinil, Votorantim e Deca despontam como as líderes do setor de material de construção nas favelas brasileiras. No entanto, a presença consolidada na mente ou na obra dos moradores de comunidades e periferias não garante a conquista da sua preferência e lealdade. Isso é o que aponta a mais recente edição do Tracking das Favelas, estudo desenvolvido pela NÓS - Novo Outdoor Social para monitorar o comportamento de consumo e a relação dos moradores de comunidades com as principais marcas do mercado. 
O levantamento revela, ainda, que, enquanto categorias de alta frequência e visibilidade mantêm marcas líderes com forte conversão em todo o funil, outros segmentos sofrem um gargalo acentuado ao longo da jornada: a lembrança de marca (awareness) e o uso real não se traduzem, automaticamente, em vínculo de longo prazo.
No segmento de tubos e conexões, o estudo registra um funil de vendas forte e estruturado. A Tigre se consolida como a referência nacional e das comunidades, registrando 62,9% de lembrança, 44,4% de compra e 32,5% de intenção de compra em julho de 2026. 
Ela converte 54,5% de seus compradores em preferência declarada e registra o maior NPS do conjunto de marcas analisadas (74%). No entanto, a disputa no meio do funil se acirrou, com retração gradual na compra da líder - que atingia 51,1% em agosto de 2024 - e reação recente de concorrentes como Amanco Wavin.
A categoria de tintas protagoniza uma disputa mais equilibrada. Coral e Suvinil empatam no topo do funil em lembrança (55,5% contra 51,7%) e em histórico de compra (37,0% contra 35,3%).  Contudo, a Coral chega ao fechamento da série com maior intenção de compra (28,2% contra 24,5%) e de preferência (15,7% contra 12,5%), determinando uma virada em relação a 2025. Por outro lado, a Suvinil conserva a maior lealdade entre os consumidores ativos, sustentando um NPS de 73% contra 69% da Coral.
A Votorantim, por sua vez, domina a lembrança espontânea e a presença de mercado, entre as marcas de cimento, registrando 31,7% de lembrança e 15,7% de compra. Apesar dessa força inicial, a marca enfrenta um forte afunilamento ao avançar na jornada, caindo para 8,1% de intenção de compra e 4,2% de preferência, com maior intensidade entre o público masculino (5,4%) do que feminino (3,3%). A Cauê opera em menor escala, mas demonstra eficiência ao melhorar seus índices de conversão mesmo sem grandes ganhos de conhecimento.
Entre louças e revestimentos, a Deca é soberana em lembrança (31,5%) e compra (18,8%), respaldada por uma forte percepção de atributos funcionais como qualidade (21,6%), facilidade de encontrar (21,1%) e confiança.  No entanto, a intenção de compra cai para 8,6% e a preferência fecha em apenas 3,9%, evidenciando um dos maiores gargalos do levantamento. “A decisão de compra na favela envolve pragmatismo, orçamento e confiança. Na construção civil, estar presente na obra é apenas o primeiro passo. O grande desafio das marcas é transformar lembrança funcional em conexão emocional e intenção futura. Entender esses micros movimentos em cada etapa do funil é essencial para criar estratégias que não fique restritas à aquisição pontual, mas construam preferência duradoura”, ressalta Emília Rabello, fundadora e sócia da NÓS - Novo Outdoor Social.
O estudo cruza, ainda, a realidade do consumo periférico com o cenário macroeconômico nacional do setor de construção civil. Enquanto o faturamento da indústria nacional de material recuou 3,4% no primeiro semestre - levando a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) a redefinir a projeção anual de crescimento para 0,5% -, o consumidor de favela demonstra dinamismo, embora enfrente a inflação de insumos e o endividamento fatiando as obras e executando intervenções em etapas.
Esses movimentos evidenciam divergências regionais e dinâmicas próprias do público periférico. Nacionalmente, a Suvinil lidera no segmento de tintas há anos. Na favela, a Coral assumiu a liderança em intenção de compra e preferência em 2026. 
Além disso, o Tracking das Favelas mostra uma conversão restrita em grande parte do setor. Somente Tigre (54,5%) e Coral (42,4%) conseguem converter mais de 40% de seus compradores em preferência, enquanto nas demais marcas analisadas a taxa não atinge 27%. 
A elevada lealdade operacional reflete também no NPS médio da categoria, que atinge 64,0% e acumula entre 71,9% e 77,9% de promotores, comprovando que a experiência do morador com os produtos é altamente positiva e que o gargalo das marcas reside na nutrição do funil de escolha.
O levantamento faz parte do Tracking de Marcas da Favela, estudo que monitora a percepção e o comportamento de consumo de moradores de favelas em todo o Brasil. A pesquisa foi realizada com 800 entrevistados, selecionados por meio de um aplicativo com usuários previamente perfilados por critérios de classe social, gênero, idade e localização, incluindo clusters específicos de favelas. A amostra segue controle de cotas por gênero e faixa etária, e todas as respostas passam por processos de validação automática e manual para garantir a qualidade dos dados. O estudo possui margem de erro de 3,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Foto: Adobe Stock

 

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