Varejo brasileiro dá sinais de fôlego curto
Texto: Redação Revista Anamaco
O varejo brasileiro inicia 2026 sob um cenário de desaceleração e desempenho heterogêneo entre os segmentos, segundo projeção elaborada pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar) em parceria com a FIA Business School. O estudo indica que o primeiro semestre será marcado por oscilações modestas no varejo restrito e retração no varejo ampliado, especialmente nos segmentos mais sensíveis ao crédito e à renda.
Para o varejo restrito, a projeção aponta leve variação negativa de 0,21% em março na comparação com o mês anterior e queda de 0,29% em relação a março de 2025. Ainda assim, o setor mantém crescimento acumulado no ano de 0,55% e alta de 1,17% em 12 meses. Em abril, a expectativa é de estabilidade, com variação mensal de 0,06% e crescimento interanual de 0,08%. Em maio, a projeção indica estabilidade frente a abril (0,00%) e avanço de 0,37% na comparação anual, consolidando um ritmo moderado de expansão.
Já o varejo ampliado apresenta cenário mais desafiador. Para este mês de março, a estimativa é de retração de 1,94% sobre fevereiro e queda de 3,73% em relação ao mesmo mês do ano anterior, acumulando baixa de 1,53% no ano e recuo de 0,56% em 12 meses. Abril deve manter o viés negativo, com retração mensal de 1,40% e queda interanual de 3,07%. Apenas em maio surge uma reação pontual na margem (1,56%), embora ainda com desempenho anual negativo (1,58%).
Nesse cenário, o segmento de material de construção, bastante dependente de crédito, registra queda interanual de 7,41% em março e recuo acumulado de 5,51% no ano.
Na análise de Claudio Felisoni, presidente do Ibevar e professor da FIA Business School, o comportamento projetado para os próximos meses reflete um ambiente de consumo mais seletivo, com famílias priorizando itens essenciais e segmentos de maior valor agregado ou vinculados à tecnologia, enquanto bens duráveis e itens mais dependentes de financiamento enfrentam maior volatilidade. “O cenário exige estratégia refinada por parte das empresas, com gestão rigorosa de estoques, política comercial mais assertiva e monitoramento constante dos indicadores de demanda”, ensina.
Foto: Adobe Stock




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