Movimento no varejo

Varejo físico recua em março, mesmo com retomada pós-Carnaval, aponta pesquisa

Texto: Redação Revista Anamaco

Dados apurados pelo Índice de Intenção de Compra do Varejo (IICV SEED), estudo divulgado mensalmente pela Seed Digital, mostram que o varejo físico brasileiro registrou queda de 0,7% no número de visitantes em março na comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado indica uma retomada do fluxo após o Carnaval, mas ainda sem força suficiente para sustentar crescimento, evidenciando um consumidor mais seletivo e sensível ao cenário econômico.
Baseado em dados de cerca de 58 milhões de visitantes mensais em lojas em todo o País, o índice mostra que março foi marcado por uma recomposição do calendário comercial e pela volta gradual da rotina de consumo. Datas como o Dia do Consumidor e o Dia Internacional da Mulher ajudaram a reativar a demanda, mas não foram suficientes para impulsionar o desempenho geral.
A expectativa de uma recuperação mais robusta não se confirmou, mesmo com uma base comparativa favorável, já que, em 2025, o Carnaval ocorreu em março. Entre os fatores que pressionaram o consumo estão a manutenção da taxa de juros em patamar elevado, entre 14,75% e 15%, o aumento dos custos logísticos impulsionado pela alta dos combustíveis e a instabilidade internacional, além do cenário eleitoral no Brasil.
Sidnei Raulino, fundador e CEO da Seed Digital, avalia que o mês  cumpriu um papel importante de reorganização do varejo após o impacto do Carnaval, mas os dados mostram que o consumidor segue mais criterioso. “O ambiente de juros elevados, somado às incertezas externas e internas, tem levado a uma decisão de compra mais racional, em que preço e percepção de valor são determinantes. Nesse cenário, a conversão depende cada vez mais de estratégia, eficiência e estímulos muito bem calibrados”, observa o executivo. 
O levantamento revela um cenário fragmentado. As regiões Norte (+4,1%) e Sul (+3,6%) lideraram o crescimento, impulsionadas por maior eficiência logística e pela antecipação das coleções de outono, que estimularam o consumo. 
Por outro lado as demais regiões registraram queda: Centro-Oeste, 4,6%, Sudeste, 1,7%, e Nordeste, 0,7%. No Centro-Oeste, o recuo reflete a cautela associada à acomodação dos preços das commodities agrícolas, enquanto no Sudeste houve maior dispersão do consumo para canais digitais, impactando o varejo físico. 
O desempenho também variou entre os canais de lojas de rua e shoppings. Enquanto o varejo de rua apresentou alta volatilidade no trimestre - com crescimento em janeiro (7,3%), forte queda de 11,8% em fevereiro e leve retração de 1,2% em março, os shoppings mantiveram trajetória mais estável, com crescimento de 2,3% no último mês. “A resiliência dos centros de compras está associada ao ambiente controlado e ao perfil de consumo mais orientado à conveniência, o que contribui para maior conversão de visitas em vendas”, pontua Raulino.
O estudo aponta que o setor deve enfrentar um período desafiador ao longo de 2026, marcado pela convergência de fatores como a Reforma Tributária, a possível redução da jornada de trabalho, a Copa do Mundo e o ciclo eleitoral. “Esse conjunto de variáveis tende a aumentar a volatilidade do consumo e exigir maior capacidade de adaptação das empresas, com uso intensivo de dados, revisão de estratégias comerciais e ganho de eficiência operacional”, finaliza.

Foto: Adobe Stock

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