Varejo físico recuou 1,5% em agosto
Texto: Redação Revista Anamaco
O varejo físico brasileiro encerrou agosto sob pressão. O Índice de Intenção de Compra do Varejo (IICV), da SEED Digital, registrou retração de 1,5% no fluxo de consumidores na comparação anual, em um mês marcado pelo comprometimento da renda disponível das famílias, juros ainda elevados e aumento da percepção de risco diante do cenário político. O levantamento acompanha, mensalmente, o comportamento de, aproximadamente, 58 milhões de visitantes por mês em milhares de lojas de diferentes regiões e setores do País. “O resultado reforça um cenário de maior cautela por parte do consumidor. Mesmo um dos principais momentos sazonais do segundo semestre, a semana do Dia dos Pais, apresentou variação negativa de 0,3%, frustrando as expectativas de maior tração para o comércio”, explica Sidnei Raulino, CEO e fundador da empresa.
Na sua avaliação, a combinação entre renda disponível mais comprometida e crédito ainda caro ajuda a explicar a perda de ritmo. “Em agosto, a taxa básica de juros permanecia em patamar elevado, enquanto o crédito, importante impulsionador das vendas no varejo, continuava restringindo principalmente o consumo de produtos de maior valor agregado”, acrescenta.
O estudo revela que a retração nacional esconde comportamentos bastante distintos entre as regiões brasileiras. Em agosto, o Sul cresceu 8,4%, acelerando em relação à alta de 6,7% registrada em julho e consolidando uma trajetória de recuperação do fluxo. O Centro-Oeste também voltou ao campo positivo, com avanço de 1,3%, depois da queda de 6,0% observada em julho. Já o Norte interrompeu uma sequência de dois meses de retração e registrou leve alta de 0,1%.
Na direção oposta, os grandes centros consumidores do País continuaram pressionados. O Sudeste recuou 4,3%, aprofundando a tendência negativa pelo terceiro mês consecutivo, enquanto o Nordeste apresentou queda de 4,8%, também mantendo três meses seguidos de retração. “O mapa do varejo em agosto mostra uma divisão clara no ritmo de recuperação. Enquanto Sul e Centro-Oeste demonstram maior capacidade de recomposição do fluxo, Sudeste e Nordeste permanecem pressionados, sinalizando um consumidor mais reticente nos principais centros de consumo do Brasil”, aponta Raulino.
A pesquisa mostra que o comportamento dos canais físicos também evidencia diferenças importantes. As lojas de rua registraram queda de 1,7% em agosto, ante retração de 0,3% em julho, chegando ao quarto mês consecutivo de resultado negativo.
Os shopping centers recuaram 0,4%, mas apresentaram melhora significativa em relação à queda de 5,1% registrada em julho. Segundo o estudo, o resultado indica maior resiliência dos centros de compras, que conseguiram absorver melhor o tráfego de consumidores diante do ambiente adverso.
O executivo observa que, para o varejo, o último quadrimestre de 2026 será marcado por uma combinação de fatores. De um lado, datas comerciais importantes, como Black Friday e Natal, capazes de estimular a demanda. De outro, eleições e condições climáticas adversas podem adicionar volatilidade ao fluxo. “A velocidade com que o ambiente político recuperar previsibilidade após a votação será um fator importante para determinar quanto da demanda represada poderá ser capturada no fim do ano”, conclui Raulino.
Foto: Adobe Stock




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