Varejo reage
Texto: Redação Revista Anamaco
O varejo físico brasileiro voltou a registrar sinais de reação em abril, no entanto, o cenário ainda inspira cautela, apesar da alta de 4,1% na intenção de compra em comparação ao mesmo período do ano passado. O faturamento do setor segue pressionado, refletindo um consumidor mais seletivo e sensível aos preços.
Os dados fazem parte do Índice de Intenção de Compra do Varejo (IICV SEED), estudo divulgado, mensalmente, pela Seed Digital, baseado em mais de 58 milhões de visitantes mensais monitorados em milhares de lojas em todo o Brasil.
O estudo aponta que, embora mais pessoas tenham circulado pelo comércio em abril, o movimento não se converteu em aumento proporcional nas vendas. “Os dados mostram que o consumidor continua frequentando as lojas físicas, mas está muito mais racional na decisão de compra. O desafio do varejo, agora, não é apenas gerar fluxo, mas aumentar a eficiência de conversão e preservar margens em um ambiente de consumo mais cauteloso”, destaca Sidnei Raulino, CEO e fundador da Seed Digital.
Entre os canais analisados, as lojas de rua apresentaram desempenho mais consistente, com crescimento de 5,4% em abril. O resultado representa uma recuperação relevante após um primeiro trimestre marcado por forte retração.
Já os shoppings centers registraram queda de 2,3%. O estudo aponta que os centros de compras enfrentaram dificuldades para recuperar previsibilidade no fluxo e consolidar uma retomada sustentada.
Regionalmente, o destaque ficou com o Sul, que avançou 9,6% em abril, mantendo ritmo positivo mesmo diante de históricos impactos climáticos e econômicos. O Sudeste também apresentou recuperação relevante, com alta de 4,2%, após um início de ano mais pressionado pela concorrência do varejo on-line e desaceleração do consumo. Centro-Oeste (1,3%) e Norte (3,1%) também registraram crescimento, enquanto o Nordeste foi a única região com leve retração (-0,5%), ainda próximo da estabilidade.
A projeção para maio indica um ambiente de consumo ainda desafiador. Apesar dos indicadores positivos no mercado de trabalho, como desemprego em 6,1% e rendimento médio de R$ 3.722, o estudo alerta que o elevado nível de endividamento das famílias, que atingiu 80,9% em abril, limita o potencial de retomada do varejo.
A inflação concentrada em itens essenciais, como alimentação e transporte, somada à perspectiva de juros elevados e ao ambiente de incerteza econômica e política, reforça o comportamento defensivo do consumidor. “O brasileiro quer consumir, mas sente receio. O varejo precisará equilibrar estratégia comercial, inteligência operacional e acompanhamento constante dos indicadores econômicos para transformar fluxo em resultado real nos próximos meses”, conclui Raulino.
Foto: Adobe Stock




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