Associativismo, o exemplo alemão - Revista Anamaco

Encontro Febramat 2019

Associativismo, o exemplo alemão

Texto: Redação Revista Anamaco

Também presente no Encontro Febramat 2019, evento que está sendo realizado pela Federação Alemã de Redes e pela Federação Brasileira de Redes Associativistas de Materiais de Construção (Febramat), no Hotel Holiday Inn Anhembi, em São Paulo, até amanhã, 08 de novembro, Ludwig Veltmann, secretário-geral e principal gestor da Federação Alemã de Redes e centrais de negócios, fez uma apresentação sobre a entidade e sobre como ela atua na Alemanha.
Segundo ele, a entidade possui 310 Redes de 45 setores distintos, conta com 230 mil associadas, em sua maioria varejistas, mas também cooperativas de serviços, que empregam 2,5 milhões de funcionários e movimentam, por ano, 496 bilhões de Euros, o que representa 18% do Produto Interno Bruto (PIB) alemão. “Esses números são impressionantes. As Redes não são uma minoria insignificante. Elas têm importância na geração de empregos, na economia e na capacitação”, frisou.
Na análise de Veltmann, as Redes são um ponto de confluência entre os membros e devem oferecer serviços aos associados, têm a missão de representar os interesses do ponto de vista político, fortalecer tudo o que promova as micro e pequenas empresas (PME´s) e excluir o que as prejudique, através do diálogo com as autoridades.
Além disso, paralelamente à execução dos projetos, diferentemente do que acontece no Brasil, as Redes alemãs também são responsáveis por negociar acordos coletivos com os sindicatos e oferecem consultoria jurídica aos associados.

   
O palestrante destacou que 99,6% de todas as empresas alemãs são PME´s, consideradas a “coluna” da economia. Elas geram 58,5% dos empregos e são responsáveis por 35,3% do faturamento total das companhias no país. Nesse contexto, o executivo reforçou a importância da atuação em cooperativas. “Como lutadores individuais, essas empresas não são competitivas no mundo. O que um não consegue sozinho, muitos conseguem juntos. É esse pensamento que norteia o cooperativismo alemão e torna o modelo bem sucedido”, garantiu.
O palestrante comentou que, embora a compra única seja o centro do associativismo porque ajuda a melhorar as negociações, a atuação em Rede permite mais do que isso. Um exemplo é o acesso das lojas a algumas marcas que não conseguiriam trabalhar caso atuassem sozinhas. “Sozinhos os pequenos não têm chance”, sentenciou.
O executivo revelou que o grande desafio das Redes é a digitalização e de que forma ela poderá ser trabalhada pelo cooperativismo. Veltmann antecipou que a Federação alemã lançou a Missão PME 2025, que prevê a ampliação das tarefas da Rede em algumas áreas, como infraestrutura, para criar canais  paras as ofertas digitais e explicar para os membros como a digitalização deverá ser usada. Segundo ele, as Redes deverão preparar os associados para a plataforma digital, resgatar as pessoas que ainda não sabem lidar com a tecnologia e ter acesso aos dados dos clientes para conhecer seus hábitos de consumo.
Na percepção do executivo, as redes de cooperação podem ser um modelo de sucesso no mundo inteiro porque, segundo ele, não são as grandes empresas que “carregam” a economia. Ele reforça que a economia se estabiliza com uma companhia que todos os dias arregaça as mangas e atua.
Para finalizar, Veltmann lembrou que a Projeto “Vamos! Cooperação Alemanha Brasil" é financiado pelo Ministério do Desenvolvimento Alemão e prevê investimentos no Brasil entre 01 de novembro de 2018 a 31 de outubro de 2021. “Temos pouco tempo e muito a fazer. Esperamos como resultados a implantação da representação dos interesses, melhorias nos serviços e geração de receitas para as Redes”, explicou.

Fotos: Grau 10 Editora

 

 

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