Brasil tinha, em dezembro, 73,49 milhões de consumidores negativados
Texto: Redação Revista Anamaco
Aumentou o número de brasileiros com contas em atraso. De acordo com o Indicador de Inadimplência de Pessoas Físicas, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), o total de consumidores inadimplentes subiu 10,17% em dezembro de 2025, na comparação com o mesmo período de 2024 e 0,87% sobre novembro.
Estima-se que 73,49 milhões dos brasileiros estejam nessa condição, o que representa 44,02% da população adulta do País. A alta anual de devedores foi impulsionada, principalmente, por dívidas com tempo de atraso de 4 a 5 anos (32,64%).
José César da Costa, presidente da CNDL, destaca que o fechamento do ano com um recorde histórico de inadimplência é um sinal de alerta máximo para a economia brasileira. Segundo ele, tradicionalmente, o mês de dezembro traz um alívio para o orçamento das famílias com a entrada do 13º salário e das rendas extras temporárias, mas ocorreu uma inversão dessa tendência. “O endividamento chegou a um nível tão crítico que os recursos adicionais não foram suficientes para estancar o crescimento da lista de negativados. É um cenário preocupante: para o consumidor, significa restrição ao consumo e perda de bem-estar; para o lojista, representa uma trava no giro de capital e maior insegurança para investir no novo ano que se inicia", explica.
Por faixa etária, a parcela de devedores mais expressiva foi de 30 a 39 anos (23,38%) e, por sexo, 51,26% são mulheres e 48,74%, homens. Observando os resultados por região, o Sul apresentou a maior alta na comparação anual - 10,86% -, seguido pelo Norte (10,24%), Nordeste (9,13%), Sudeste (8,22%) e Centro-Oeste (8,07%).
Em média, as dívidas totais atingiram R$ 4.832,98 devidos para 2,24 empresas credoras. Os dados ainda mostram que quase três em cada dez consumidores - 30,98% - tinham dívidas de valor de até R$ 500 e 43,82% de até R$ 1.000.
Segundo o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior, sob a óptica do mercado de crédito, esse recorde histórico gera um efeito em cadeia: o aumento do risco de crédito força as instituições financeiras a serem mais seletivas e a elevarem os spreads, gerando crédito mais caro e escasso, o que dificulta a renegociação de dívidas e trava o consumo de bens de maior valor agregado, fundamentais para a tração do varejo. “Precisamos de políticas que facilitem o pagamento e promovam o uso consciente do crédito para evitar que o superendividamento se torne uma barreira estrutural ao crescimento do País”, afirma.
Em dezembro de 2025, o número de dívidas em atraso no Brasil teve crescimento de 17,14% em relação ao mesmo período de 2024. Na passagem de novembro para dezembro, a alta foi de 1,31%. Os setores de Água e Luz representam a maior elevação, de 21,32%, seguidos de Bancos (18,12%), Comunicação (9,73%) e Comércio (1,51%), sendo os Bancos os maiores credores, com 65,16% do total. Na sequência, aparece Água e Luz (11,26%), Outros, com 9,07%, e Comércio, com 8,95% do total de dívidas.
A maior alta ocorreu na Região Norte (19,02%), seguida pelo Sul (18,72%), Sudeste (16,01%), Centro-Oeste (15,83%) e Nordeste (14,61%).
Foto: Adobe Stock




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