Consumo migra para serviços e varejo de bens recua com cautela do consumidor
Texto: Redação Revista Anamaco
A economia brasileira iniciou 2026 com um comportamento assimétrico do consumo, de acordo com estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo (Ibevar) e a FIA Business School.
Enquanto o varejo de bens registrou leve retração de 0,48%, o setor de serviços apresentou crescimento mais robusto e estrutural, impulsionado por modelos digitais, conveniência, recorrência e busca por proteção financeira. “Os dados indicam uma mudança no padrão de consumo das famílias e das empresas, marcada por maior seletividade e cautela financeira”, observa Claudio Felisoni, presidente do Ibevar e professor da FIA Business School.
No varejo de bens, o desempenho foi heterogêneo. Segmentos essenciais e ligados ao consumo recorrente sustentaram crescimento, enquanto bens duráveis permaneceram pressionados por juros elevados, crédito restritivo e postergação de decisões de compra.
Nesse cenário, o segmento de material de construção registrou retração de 1,75%, evidenciando menor apetite por compras de maior valor e mudanças estruturais nos hábitos de consumo.
Em contraste, o setor de serviços apresentou desempenho mais dinâmico no começo de 2026. Os maiores crescimentos foram registrados em aplicativos de delivery (21,2%), seguro residencial (20,6%) e aplicativos de transporte (15,9%), refletindo a consolidação do modelo on-demand, a digitalização do consumo e a crescente demanda por previsibilidade e proteção financeira.
Serviços ligados à experiência, como restaurantes, turismo, shows, spas e academias, também mostraram avanço relevante, sinalizando retomada consistente do consumo experiencial, especialmente entre faixas de renda média e alta.
Na análise de Felisoni, a divergência entre bens e serviços reflete um ajuste estrutural no padrão de consumo. “As famílias priorizam conveniência, experiência, proteção e recorrência, enquanto reduzem ou adiam a aquisição de bens físicos, especialmente os duráveis”, explica.
Segundo o estudo, o cenário indica que a retomada do crescimento ao longo de 2026 seguirá desigual e condicionada à evolução do crédito, da renda real e da confiança do consumidor. “No curto prazo, a economia avança mais pelo uso, pela experiência e pelos serviços do que pela compra de bens, reforçando um ciclo ainda cauteloso, porém em transformação”, finaliza.
Foto: Adobe Stock




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