Pesquisa

Endividamento e inadimplência encerraram o ano de 2025 em queda

Texto: Redação Revista Anamaco

De acordo com a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), ao longo de 2025, o percentual de famílias endividadas avançou, alcançando em outubro a máxima histórica (79,5%).
Contudo, nos dois últimos meses, o endividamento desacelerou e encerrou o ano em 78,9%, a menor taxa desde julho, porém o maior nível para um mês de dezembro da série histórica, revelando aumento de 2,3 pontos percentuais em relação ao ano passado.
Quando o assunto é a inadimplência, a pesquisa mostra que houve redução no primeiro trimestre, quando o processo de alta da Selic ainda estava no início. Desde então, o indicador começou a aumentar, atingindo a máxima histórica também em outubro (30,5%). Com a necessidade de maior planejamento dos consumidores, a parcela média de comprometimento da renda com dívidas reduziu no ano, principalmente no terceiro trimestre. O maior endividamento seguido por inadimplência tornou o mercado de crédito mais seletivo, com as instituições financeiras reduzindo o prazo das dívidas durante 2025. No último trimestre, com a melhor percepção da inadimplência e por causa do momento sazonal favorável das festas de fim de ano que aquecem o comércio e, consequentemente, o crédito, esse prazo avançou e ficou quase estável.
De acordo com o estudo, o percentual de famílias que relataram ter dívidas a vencer (cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque prédatado e prestações de carro e casa) seguiu em queda em dezembro (78,9%), entretanto ainda acima do resultado de 2024. Além dessa queda, o mês apresentou melhora da percepção do endividamento, com recuo no percentual de pessoas que se consideram “muito endividadas” (15,7%).
O levantamento mostra que o menor endividamento em dezembro foi acompanhado por uma redução do percentual de inadimplência, que atingiu 29,4%, a menor taxa desde abril (29,1%), mas ainda ligeiramente além do resultado de dezembro de 2024.
Assim como o percentual de famílias que não terão condições de pagar as dívidas em atraso, que apresentou queda, indo para 12,6%, o menor percentual desde junho (12,5%). No entanto, nesse caso, terminou o ano abaixo do resultado de 2024.
Mesmo com o endividamento amenizado, o tempo com as dívidas atrasadas se manteve em 64,3 meses. O percentual de famílias inadimplentes por mais de 90 dias teve um leve aumento no mês de 48,5% para 48,6%. Contudo, abaixo do resultado de 49,2% de dezembro de 2024, revelando maior fôlego dos consumidores frente a 2024.
Enquanto isso, os aumentos do percentual de famílias comprometidas com dívidas por mais de um ano foram revertidos esse mês, reduzindo de 32,1% para 31,8%. Em relação ao ano anterior (36,3%), a queda foi ainda mais abrupta.
Em contrapartida, as dívidas até três e seis meses aumentaram, sendo desfavorável para o orçamento mensal. Sendo assim, a média reduziu para um prazo de 7,1 meses contra 7,4 em dezembro de 2024, demonstrando dívidas mais curtas, ou seja, menos tempo para pagamento em média.
Outro fator desfavorável do mês é que o percentual dos consumidores que têm mais da metade dos rendimentos comprometidos com dívidas avançou 0,1 ponto percentual no mês para 18,9%, após queda em novembro. A maior parte das famílias (56,4%) continua possuindo entre 11% e 50% da renda comprometida. Dessa forma, o percentual médio de comprometimento da renda com dívidas permaneceu em 29,5% em dezembro, o menor nível desde setembro (29,3%) e abaixo dos 29,8% em dezembro de 2024.
Nesse cenário, a maior parte das dívidas foram realizadas por meio do cartão de crédito (85,1%), um aumento de 1,3 p.p. em relação ao ano passado e o maior nível desde agosto de 2024 (85,7%). Essa foi a modalidade com maior incremento na comparação anual, um motivo de cautela por ser a que possui uma das maiores taxas de juros (90,1% a.a.).
Ao analisar os dados desagregados por renda, a redução mensal do endividamento ocorreu em todas as faixas, principalmente entre aquelas com renda acima de 10 salários. Já o percentual de inadimplência recuou no mês para a maioria das famílias, sendo as com renda entre três e cinco salários as com maior queda tanto no mês quanto no ano. As com rendimento entre cinco e 10 foram as exceções no mês, com avanço de 0,2 ponto percentual.
Na falta de condições de pagar as dívidas atrasadas, as famílias com renda entre três e cinco salários foram novamente as com maior redução, reforçando a maior preocupação desse grupo com regularizar suas dívidas.
Projeções da CNC mostram que o endividamento deve continuar recuando no primeiro trimestre deste ano, assim como a inadimplência.

Foto: Adobe Stock

Endividamento e inadimplência encerraram o ano de 2025 em queda
Compartilhe esse post:

Comentários