Forte desempenho em 2025
Texto: Redação Revista Anamaco
As vendas de cimento somaram, em dezembro, 4,9 milhões de toneladas, um aumento de 4,7% em relação ao mesmo mês de 2024, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC). Com esse resultado, o setor encerrou 2025 com um total de 67 milhões de toneladas comercializadas, acumulando uma alta de 3,7% no ano passado, o que representa 2,4 milhões de toneladas a mais sobre o ano anterior.
Paulo Camillo Penna, presidente do SNIC, observa que a atividade consolidou a retomada iniciada com a recuperação de 3,9% registrada em 2024. “O desempenho corrobora a trajetória de expansão, embora o volume total ainda permaneça distante do recorde histórico de 2014, de 73 milhões de toneladas”, pontua.
O estudo indica que todas as regiões apresentaram crescimento anual acumulado, com liderança do Nordeste (7,2%), seguido por Norte (4,0%), Sul (3,1%), Sudeste (2,7%) e Centro-Oeste (1,9%).
Penna lembra que o ano passado foi marcado por um cenário macroeconômico de contrastes. De um lado, o setor foi impulsionado pelo aquecimento do mercado de trabalho: o desemprego recuou para 5,2% em novembro, o menor da série histórica, com 5,6 milhões de pessoas desempregadas, enquanto a população ocupada atingiu o recorde de 103 milhões e o rendimento médio registrou o maior valor já apurado, ampliando a massa salarial, que tem forte correlação com as vendas do setor.
Por outro lado, a economia enfrentou a desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB) ao longo do ano e uma política monetária contracionista. A Selic chegou a 15% em junho e permaneceu neste patamar ao longo de 2025, o nível mais alto desde julho de 2006. Tal conjuntura retraiu o crédito imobiliário via poupança (SBPE). O quadro foi agravado pelo alto endividamento (comprometendo 49,1% da renda da população) e pela inadimplência recorde, que atingiu 80,4 milhões de pessoas em outubro, a maior da série. Além disso, houve forte concorrência do orçamento familiar com as apostas eletrônicas.
Na atividade da construção habitacional, o Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) consolidou-se como vetor essencial para a indústria do cimento. No acumulado do ano até setembro, os lançamentos do programa cresceram 7,9%, enquanto as vendas registraram alta de 15,5%. “Fechamos o ano consolidando a recuperação, mas atentos à conjuntura econômica, especialmente à taxa Selic e ao impacto do endividamento na renda das famílias”, finaliza.
Foto: Adobe Stock




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